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Soja: Famato defende automação na classificação de grãos e transparência na comercialização

25 de março de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 25/03/2026 – A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) defendeu a adoção de equipamentos automatizados para a classificação de soja nos pontos de entrega, em substituição às análises baseadas exclusivamente na observação humana, durante reunião realizada no Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (Ipem-MT) com representantes de instituições públicas e privadas.

A agenda trata de uma demanda recorrente do setor produtivo. Produtores rurais relatam divergências frequentes entre a qualidade do grão entregue e aquela atestada pelos compradores em armazéns e tradings, o que gera conflitos comerciais e perdas que nem sempre são percebidas no momento da negociação. A classificação segue normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mas ainda enfrenta desafios relacionados à falta de uniformidade nos processos nos pontos de entrega.

Em nota, o superintendente da Famato, Cleiton Gauer, afirmou que a comercialização começa antes do fechamento do negócio. “A comercialização começa ainda na descarga, na classificação e na aferição da qualidade dos grãos, e isso pode gerar prejuízos que o produtor nem sempre percebe”, disse. Segundo ele, o encontro permite transformar demandas do campo em ações concretas. “Esse espaço permite construir uma agenda positiva e sair com um plano de ação para solucionar essas prioridades”, afirmou.

A proposta em discussão envolve o uso de equipamentos para reduzir a subjetividade das análises e aumentar a padronização dos resultados, com potencial de diminuir conflitos comerciais e ampliar a segurança jurídica nas negociações.

Segundo o assessor técnico da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Thiago Pereira, o processo de validação desses equipamentos está em andamento. “O Inmetro, junto com o Ministério da Agricultura, está desenvolvendo protocolos para validar esses equipamentos. A perspectiva é positiva e a expectativa é que ainda neste ano haja avanços na validação desse processo”, afirmou, também em nota.

A expectativa é que grupos de trabalho formados a partir da reunião avancem nos próximos meses na construção de soluções práticas para aplicação no campo, com foco em maior padronização e transparência na comercialização.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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