Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
25 de março de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente
Nova York, 25/03/2026 – O Brasil está no centro das atenções de Washington como um parceiro relevante na corrida por minerais críticos. Depois de um período de “fricção”, a relação de ambos pode caminhar para uma “cooperação”, mas não um alinhamento. Ainda assim, Brasília não está disposta a abrir mão do vínculo com Pequim, principal compradora de commodities brasileiras, na opinião de especialistas que participaram de painel virtual organizado pelo think tank americano Peterson Institute for International Economics (PIIE), nesta quarta-feira, dia 25.
Para a diretora do Programa Brasil no think tank Inter-American Dialogue, Bruna Santos, a relação Brasil-EUA vive um momento de “gestão da volatilidade”, com o “estado de fricção” recente sendo “cuidadosamente controlado”. A especialista avalia que a cooperação prática em minerais críticos entre os dois países “continua possível” até mais do que em outras áreas, uma vez que os “interesses ainda convergem”.
“Não prevejo nenhum tipo de ruptura, mas também não vejo um alinhamento amplo geopolítico à frente”, disse Santos. “Vejo uma cooperação prática seletiva de projetos e investimentos que sejam úteis para ambos os lados”, afirmou, acrescentando que os aliados dos EUA agora estão tendo de precificar o risco político em seus cálculos de longo prazo.
Segundo o pesquisador sênior do PIIE, Cullen S. Hendrix, o Brasil está integrado com a China e não está disposto a cortar suas relações com o país. Por outro lado, disse Hendrix, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se mostrou alinhado à Doutrina Monroe durante a gestão do presidente Donald Trump na questão de segurança nacional.
“Os EUA fundamentalmente precisam mais do Brasil do que o Brasil precisa dos EUA. E o Brasil não é a Venezuela. Não é Cuba. Os termos não podem ser ditados ao Brasil”, alertou Hendrix. “Como o Brasil jogará essa carta e se será capaz de obter concessões reais em infraestrutura de processamento e capacidade de valor agregado, é algo a ser observado”, acrescentou.
Santos, do Inter-American Dialogue, lembrou que o Brasil sofreu com tarifas de 50% impostas pelos EUA no ano passado e o fato de ser uma “potência média” protegerá ferozmente sua autonomia estratégica em sua tradição de não alinhamento. “E não abandonará seu relacionamento com Pequim”, afirmou. “A China é um pilar insubstituível da estabilidade econômica do Brasil como principal comprador de commodities brasileiras”, acrescentou.
Apesar disso, na visão da economista brasileira Monica de Bolle, que também é pesquisadora do PIIE, o Brasil se encaixa no perfil de parceiro que os EUA buscam. O Brasil é, avaliou, um “fornecedor estrategicamente significativo de minerais críticos” e um “parceiro viável” para ampliar a extração, processamento e, potencialmente, atividades de refino nas Américas.
“Os Estados Unidos estão buscando um fornecimento estável, diversificado e seguro de minerais críticos e, cada vez mais, atividades de processamento e agregação de valor em países parceiros como o Brasil”, disse de Bolle.
“O Brasil tem água, tem capacidade alimentar, tem potencial energético, tem uma escala continental, e mais importante, não tem uma grande ameaça militar externa em sua vizinhança”, reforçou Santos, do Inter-American Dialogue.
De acordo com o chefe de gabinete da vice-Presidência da República e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Pedro Guerra, o foco do governo Lula é destravar investimentos e evitar ruídos regulatórios. Os Estados Unidos listam 50 minerais como críticos, o mesmo número que a União Europeia. Por sua vez, o Brasil enumera 21, enquanto a China, 20, e o Peru e a Turquia apenas um, conforme ele.
“Quando cruzamos as listas dos Estados Unidos, da China e da União Europeia, identificamos materiais como cobre, grafite, níquel, lítio e terras raras, e o Brasil está bem posicionado para extrair todos eles”, disse Guerra.
Um ponto crucial, avaliou, é evitar prejudicar projetos já em andamento e, ao mesmo tempo, criar um ambiente de negócios que incentive o investimento produtivo no Brasil. Ele também evidenciou o papel dos governos locais na agenda de minerais críticos. Esse não é o problema, afirmou.
“O que não podemos seguir é a ideia de que cada estado do país terá sua própria maneira de lidar com riquezas que são, por texto constitucional, de competência federal, uma jurisdição federal”, defendeu Guerra. “Mas acredito que essa cooperação, essa parceria com outros níveis de governo, são absolutamente necessárias e valiosas”, reforçou.
Contato: aline.bronzati@estadao.com
Veja também