Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
25 de março de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 25/03/2026 – A Boa Safra, produtora brasileira principalmente de sementes de soja, encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões, revertendo o lucro de R$ 80,3 milhões registrado um ano antes, em um ambiente de excesso de oferta no setor, pressão sobre preços e perdas maiores no processo produtivo. “É um resultado decepcionante”, disse o CEO, Marino Colpo.
No trimestre, a receita líquida cresceu 29%, para R$ 1,235 bilhão. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 55%, para R$ 58,5 milhões, com margem de 5%, ante 14% no quarto trimestre de 2024. O lucro bruto caiu 47%, para R$ 62,3 milhões, e a margem bruta passou de 12% para 5%.
No acumulado de 2025, o lucro líquido somou R$ 101,1 milhões, queda de 37% em relação a 2024. A receita líquida avançou 42%, para R$ 2,622 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 16%, para R$ 154,1 milhões, com margem de 6%, ante 10% no exercício anterior. O lucro bruto anual, por sua vez, subiu 12%, para R$ 269,9 milhões.
Segundo a empresa, a piora das margens refletiu a combinação de menor preço médio, maior participação das vendas na modalidade CIF, em que a companhia arca com o frete até o destino do cliente, e aumento do descarte de sementes por questões de qualidade. O índice médio de perdas atingiu 15% no ciclo, acima do patamar histórico de 10%, reduzindo o volume apto à comercialização.
Colpo afirmou que a pressão sobre os resultados não foi exclusiva da companhia. “A gente tem visto um excesso de oferta de sementes no País inteiro e, junto a esse excesso de oferta, uma dificuldade muito grande das sementeiras, inclusive recuperações judiciais no setor”, disse. Segundo o executivo, o problema tem raiz em um ciclo de expansão excessiva observado nos últimos anos. “Não é a primeira vez e não vai ser a última. Na próxima década, você vai ter anos muito bons e anos de crise”, acrescentou.
Apesar do resultado mais fraco no trimestre, a Boa Safra ampliou presença no mercado em 2025. As vendas de sementes de soja somaram 215 mil big bags, alta de 34% em relação a 2024, e a participação de mercado subiu de 8% para 10%, no maior nível da história da companhia. O avanço ocorreu mesmo após a empresa descartar lotes que perderam padrão de qualidade depois do beneficiamento, armazenamento e análises finais, segundo o release.
O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques, destacou a dimensão desse crescimento. “A gente cresceu, de um ano para o outro, 54 mil big bags. Imagina que o segundo colocado no mercado seja mais ou menos isso. Crescemos em um ano quase o tamanho de um segundo colocado”, disse.
A Boa Safra encerrou 2025 com R$ 1,1 bilhão em caixa e aplicações financeiras e dívida bruta de R$ 1,3 bilhão, o que resultou em dívida líquida de R$ 151 milhões. Ao fim de 2024, a empresa tinha posição de caixa líquido de R$ 171 milhões. Do total do endividamento, 95% está no longo prazo, com apenas R$ 62 milhões vencendo em até 12 meses. “Nenhuma empresa de sementes tem algo parecido com a combinação de equity e de dívida tão longa como a gente tem”, afirmou Marques.
No segmento de novas culturas e serviços, a receita operacional bruta cresceu 88%, para R$ 292 milhões em 2025, passando a representar 13% da receita de sementes e novos negócios. O capex do exercício somou R$ 75 milhões, abaixo dos R$ 177 milhões de 2024.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
Veja também