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AtlasIntel: Mendonça tem melhor avaliação no STF e Toffoli é o mais rejeitado

20 de março de 2026

Por Weslley Galzo, do Estadão

Brasília, 20/03/2026 – A imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) se deteriorou nos últimos meses, arranhada pelas suspeitas de envolvimento de ministros da Corte com o caso do Banco Master. O cenário é acompanhado pela piora na avaliação individual dos integrantes do tribunal. Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta sexta-feira, 20, mostra que a maior parte dos atuais dez magistrados é avaliada negativamente pela população.

O ministro André Mendonça é o único que tem avaliação positiva maior que a negativa entre todos os integrantes da Corte. Segundo o levantamento, o magistrado tem 43% de menções favoráveis, enquanto 36% pensam o contrário sobre ele. Outros 20% dizem não saber avaliá-lo.

Para Wallace Corbo, professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliação positiva de Mendonça pode estar relacionada ao seu perfil discreto. “Um ministro que se distancia do debate acalorado da política, ou pelo menos não está no centro dele, acaba podendo ter um apoio maior e uma rejeição muito menor”, afirmou.

Já o ministro Dias Toffoli se encontra no extremo oposto. A imagem do magistrado é apontada como negativa por 81% dos entrevistados ante 9% que dizem avaliá-lo positivamente. No levantamento anterior realizado pelo instituto, em agosto de 2025, Toffoli era rejeitado por 50% e aprovado por 30%.

O crescimento de 31 pontos porcentuais na avaliação negativa do ministro compreende o período em que ele assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master. Toffoli passou a ter a atuação questionada após marcar uma acareação antes dos depoimentos e restringir a perícia de provas, afetando o trabalho da Polícia Federal.

Ao mesmo tempo, o ministro teve expostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu entorno. Toffoli viajou em um jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América. No mesmo voo, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, representante do ex-diretor de Compliance do Master, Luiz Antonio Bull.

Como revelou o Estadão, a empresa Maridt, de Toffoli, vendeu a participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimento do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Além disso, a PF também identificou conversas entre o banqueiro e o ministro.

As revelações levaram à saída do magistrado da relatoria da investigação do Master, que foi assumida por Mendonça.

“Toffoli tem uma subida rápida (na avaliação negativa) que aparenta ser em decorrência da discussão sobre corrupção, que gera enormes reações. A avaliação é negativa pela percepção de que o ministro não estava querendo apurar (casos de corrupção) ou por outros episódios em que suspendeu as penas e os acordos (produzidos pela Lava Jato)”, avaliou o professor de direito constitucional da FGV Oscar Vilhena.

“Essa curva negativa do Toffoli é fruto da sobre-exposição no julgamento de casos de corrupção. O juiz que é visto como leniente tem uma avaliação mais negativa. No caso do Toffoli, é uma justaposição entre a percepção de leniência e de envolvimento (no caso Master)”, completou.

Moraes

O ministro Alexandre de Moraes também viu seus índices piorarem no levantamento, mas não em níveis semelhantes aos de Toffoli. A avaliação negativa do ministro passou de 51% para 59% de agosto de 2025 até agora, enquanto a percepção positiva da população sobre ele caiu de 49% para 37%.

Moraes também é citado no caso Master. O ministro manteve conversas com Vorcaro, inclusive há registro de mensagens trocadas entre os dois, no celular do banqueiro, no dia em que o dono do Master foi preso pela primeira vez, em novembro, de acordo com a PF. Além disso, o escritório da mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco.

De acordo com Wallace Corbo, professor da FGV, Moraes pode ter resistido melhor ao desgaste do Master por ser o responsável por processos que tratam da “institucionalidade democrática”. “Isso dá para ele um apoio difuso muito grande”, afirmou.

O ministro Kassio Nunes Marques é o que menos desperta reações nos entrevistados: 35% das pessoas ouvidas afirmam não ter opinião sobre ele. A avaliação negativa é maior do que a positiva, 43% a 22%.

Como revelou o Estadão, o Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro. Os repasses, realizados entre agosto de 2024 e julho de 2025, aparecem em documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a movimentações do banco de Vorcaro.

Depois de Toffoli, o ministro Gilmar Mendes foi o que registrou maior crescimento da avaliação negativa, 11 pontos porcentuais. Passou de 56% para 67% de agosto para agora. Já a avaliação positiva caiu, de 29% para 20% no mesmo período.

O ministro Luiz Fux, assim como Mendonça, teve uma melhora na avaliação positiva, de 31%, em agosto, para 39% agora. Em setembro, o magistrado foi contra a maioria da Primeira Turma da Corte e votou para absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista. Ele manteve o índice exato de avaliação negativa (46%).

A ministra Cármen Lúcia viu aumentar o porcentual negativo de menções, de 49% a 54%, e cair o positivo, de 46% para 39%. O mesmo ocorreu com o ministro Flávio Dino. No período, a avaliação positiva passou de 46% para 40% e a negativa subiu de 50% para 58%.

A situação se repete com o ministro Cristiano Zanin. O magistrado tinha 48% de avaliações negativas e agora tem 55%. A avaliação positiva passou de 41% para 32%.

Em meio à crise que desgasta a imagem do tribunal, o ministro Edson Fachin, que preside a Corte, encampou a pauta da ética com a defesa de um código de conduta para os magistrados de tribunais superiores. Mesmo assim, viu sua avaliação positiva cair de 32% para 27% e a negativa aumentar de 48% para 53% de agosto até agora.

Ainda com 20% de pessoas que não sabem opinar sobre ele, Fachin aumentou a exposição pública no período, concedendo mais entrevistas e fazendo pronunciamentos em defesa das bandeiras da gestão, o que pode impactar a mudança na sua avaliação, segundo os especialistas.

A AtlasIntel ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 março. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais e a confiança é de 95%.

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