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Vieira diz que rotular facção como terrorista permitiria invasão

18 de março de 2026

Por Felipe Frazão, do Estadão

Brasília, 18/03/2026 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira, dia 18, a deputados que o governo se opõe à classificação de facções criminosas como terrorismo, como pretende fazer o governo dos Estados Unidos, porque essa designação daria margem a uma invasão americana no Brasil.

Vieira participou de audiência na Câmara dos Deputados e negou também que exista uma base da China, de uso dual, em território brasileiro, como mencionado em relatório de uma comissão do Congresso americano.

O chanceler foi questionado por parlamentares sobre as discussões com o governo Donald Trump, que adotou como política designar cartéis de drogas latino-americanos como organizações terroristas estrangeiras. Segundo o Departamento de Estado, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são “ameaças significativas à segurança regional”.

Mauro Vieira afirmou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva é contra a designação. Ele justificou a posição por ordem legal – o assunto foi discutido no Congresso e tal classificação, apoiada pela oposição, acabou barrada na Lei Antifacção – e por uma questão política vinculada à defesa da soberania.

“Do ponto de vista legal, o Brasil não poderia ter uma postura diferente. Do ponto de vista político, não pode também porque nós não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros”, afirmou Vieira.

Segundo Vieira, se as organizações terroristas forem consideradas ameaças à segurança nacional dos EUA, o Brasil estaria exposto a algum ataque militar.

“A classificação pelo governo americano de organizações criminosas como organizações terroristas tem uma série de consequências nas relações entre os países. Pode, inclusive, justificar a intervenção militar em outro país. Uma organização terrorista é classificada na lei americana como risco à segurança nacional americana, então isso permitiria que esse Exército, Forças Armadas ou qualquer tipo de força americana invadisse o território brasileiro para exterminar grupos terroristas”, disse o chanceler.

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