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Bancos esperam pragmatismo em projeto piloto de tokenização da Anbima

18 de março de 2026

Por Aramis Merki II

São Paulo, 18/03/2026 – Executivos que lideram o setor de ativos digitais nos grandes bancos brasileiros esperam pragmatismo no projeto piloto de tokenização de ativos financeiros da Rede Anbima, uma iniciativa da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Durante um painel no evento The Merge, em São Paulo, representantes de Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual concordaram sobre a necessidade de focar em casos de uso práticos e na padronização para que a tecnologia de registro distribuído (DLT) avance no país.

A padronização é vista como um pilar fundamental para a criação de um mercado único e eficiente. Courtnay Nery Guimarães, líder da área de ativos digitais no Bradesco, destacou que a iniciativa da Anbima pode gerar uma “eficiência operacional gigante”, eliminando a necessidade de múltiplas conciliações entre diferentes plataformas. A ideia é estabelecer uma regra básica que, ao mesmo tempo, permita que os participantes construam inovações sobre ela.

Para Guto Antunes, que comanda a área no Itaú, o Brasil vive um momento de convergência entre regulação e tecnologia. “Antes a gente falava que faltava a regulação, mas agora nós estamos com todas as condições”, afirmou, ressaltando que a plataforma da Anbima cria um ambiente para discussões e aprendizados que podem ser levados ao regulador.

Um dos principais desafios, segundo Vito Castanha, da área de ativos digitais no Santander Brasil, é a capacidade da indústria de alcançar um consenso. “Não vamos chegar em um momento que todos estão igualmente satisfeitos com a rede”, ponderou. Ele revelou que o argumento que convenceu a diretoria da Anbima a levar o projeto adiante foi o risco de se criarem múltiplas “piscinas de liquidez” isoladas, o que prejudicaria o mercado como um todo.

O projeto piloto da Anbima, focado inicialmente em debêntures e fundos de investimento, visa testar de forma prática e supervisionada o ciclo completo de um ativo tokenizado. O objetivo é gerar aprendizados técnicos, operacionais e regulatórios para orientar a evolução do tema no Brasil.

Alexandre de Freitas, diretor-presidente da Oliveira Trust, também participou do painel e comparou a iniciativa ao papel da Anbima no estímulo aos fundos imobiliários. Segundo ele, a padronização implementada pela entidade no passado permitiu que o investidor compreendesse melhor o produto, o que popularizou o ativo. A expectativa é que o piloto de tokenização tenha um efeito semelhante.

Apesar de avaliarem que o Brasil está avançado na regulação de prestadores de serviços de ativos virtuais, os executivos admitem um certo atraso em relação à tokenização de ativos financeiros quando comparado a mercados no exterior. Por isso, veem no projeto da Anbima, juntamente com iniciativas como o Drex, uma oportunidade única para o país liderar a consolidação de uma rede de tokenização na América Latina.

Contato: merki@broadcast.com.br

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