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16 de março de 2026
Por Cristina Canas
São Paulo, 16/03/2026 – O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) divulga, na tarde desta segunda-feira, um documento que identifica o que as companhias brasileiras estão fazendo em direção à sustentabilidade. As ações foram classificadas em cinco grandes movimentos: descarbonização em escala, capital verde, materialidade real, natureza como ativo estratégico e cooperação internacional.
Por trás desses cinco movimentos, está um maior protagonismo das empresas. O Radar de Tendências, como é chamado, foi elaborado a partir da análise de mais de 20 relatórios e artigos e apresenta um diagnóstico da situação em curso, ao mesmo tempo em mostra como o ritmo de atuação influencia na competitividade.
Capital
No topo das ações, está o financiamento climático. A percepção é de que o volume de recursos deixou de ser o problema central e o desafio maior passou para a estruturação de projetos sustentáveis viáveis e escaláveis. “No capital verde, os números falam por si: as emissões de títulos sustentáveis brasileiros saltaram de US$ 2,06 bilhões em 2022 para US$ 6,55 bilhões em 2024, com crescimento de 218% em dois anos”, diz Marina Grossi, presidente do CEBDS. De acordo com o último dado disponível no documento, referente a 2023, o volume de recursos global voltado à transição climática atingiu US$ 1,9 trilhão.
O Radar de Tendências do CBDES identifica também uma melhora na forma como as empresas estão comunicando suas ações sustentáveis. “Dados, impactos e riscos socioambientais deixaram de ser informação periférica e passaram a influenciar diretamente portfólio, investimentos e desempenho financeiro”, aponta o estudo, ao qual a Broadcast teve acesso antecipadamente.
De acordo com levantamento, 75% dos relatórios feitos pelas empresas nacionais adotam a dupla materialidade – que significa reportar tanto os impactos que a empresa causa no meio ambiente e sociedade, quanto riscos e oportunidades que as ações ESG geram no desempenho financeiro da empresa. Uma das conclusões é de que as empresas em estágio mais avançado na agenda ambiental relatam ganhos de reputação e marca, além de acesso a novos mercados.
“O que varia entre as empresas é o ritmo e o estágio de maturidade. Há companhias que já operam com sustentabilidade integrada à estratégia, à gestão de riscos e às decisões de investimento. Outras ainda estão em processo de transição”, diz Marina Grossi.
Escala
Sobre a descarbonização dos processos produtivos, o estudo aponta que duas a cada três das 50 maiores empresas brasileiras mensuram as suas emissões. Cita ainda que, em 2025, mais de 1300 inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE) foram publicados no Registro Público de Emissões (RPE) – uma prestação de contas das empresas de suas ações para compensar ou mitigar emissões de CO2. Esse número representa um avanço de 25% em relação a 2024.
Outra constatação é que as ações de descarbonização deixaram de ser individuais e passaram a ser setoriais e de cadeias produtivas. O CEBDS reúne mais de 270 instituições em suas Coalizões Setoriais pela Descarbonização que já identificaram, por exemplo, potencial para reduzir 70% das emissões no setor de transportes e 90% na mineração. No setor elétrico há investimentos de R$ 450 milhões e, no agronegócio, a projeção é de corte entre 500 e 600 milhões de toneladas de emissões até 2050.
O estudo sinaliza ainda a intenção das instituições financeiras em direcionar US$ 10,4 bilhões até 2027 para projetos de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), que englobam a restauração de ecossistemas, o manejo sustentável do solo e a proteção de recursos hídricos.
Ao olhar para fora do País, o estudo admite que o multilateralismo passa por um momento de reconfiguração e avalia que a agenda climática mudou de geografia e liderança. O estudo identifica que está emergindo um sistema mais fragmentado e pragmático, onde o protagonismo é de parcerias subnacionais e coalizões público-privadas e os arranjos estão mais flexíveis.
“União Europeia e economias emergentes – em especial os países do Brics – passam a exercer papel mais ativo na construção das novas rotas de cooperação”, destaca o Relatório de Tendências. Em seguida, ressalta que o setor empresarial ganhou relevância e opera como agente de implementação, articulando projetos, investimentos e parcerias com governos e instituições globais.
Para Marina Grossi, cada um dos cinco movimentos apontados no relatório reflete uma transformação estrutural da economia global. “O que antes era tratado como compromisso voluntário passa a se tornar condição de competitividade, acesso a capital e permanência em cadeias de valor. Por isso, as empresas que integram impacto, inovação e eficiência aos seus modelos de negócio não estão apenas respondendo a pressões externas. Elas estão ajudando a definir novos parâmetros de competitividade em um ambiente econômico que já mudou”, afirma.
Contato: cristina.canas@estadao.com
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