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16 de março de 2026
or Aline Bronzati, correspondente
Nova York, 16/03/2026 – Os bancos centrais, em especial aqueles que planejavam cortes de juros neste ano, devem se concentrar nos fundamentos, e não apenas nos movimentos dos mercados de curto prazo, antes de alterarem suas políticas monetárias em razão dos efeitos econômicos da escalada dos conflitos no Oriente Médio. O alerta é do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), uma espécie de banco central dos bancos centrais, com sede em Basileia, na Suíça.
“O fato de que os preços de mercado se moveram significa que os BCs têm que levar isso em consideração quando conduzem a política monetária, mas alguns movimentos de preços de mercado são puramente de curto prazo”, disse o assessor econômico e chefe do Departamento Monetário e Econômico do BIS, Hyun Song Shin, em coletiva de imprensa para comentar o relatório trimestral da instituição, divulgado hoje. “Os bancos centrais precisam avaliar sua política monetária com base nos fundamentos”, acrescentou.
Os investidores passaram a precificar as chances menores de flexibilização monetária ao longo deste ano, devido à guerra. O temor é de que os efeitos dos conflitos no Oriente Médio exerçam pressão sobre a inflação global, em razão da disparada dos preços do petróleo, e exijam que os bancos centrais mantenham juros elevados por mais tempo.
Nesta semana, ocorre o primeiro teste de política monetária desde o início dos conflitos, no fim de fevereiro. Desta vez, a superquarta, como é chamada pelo mercado, é o dia em que se tomam decisões simultâneas sobre os juros nos Estados Unidos e no Brasil. Também estão previstos anúncios no Reino Unido, no Japão, no Canadá e na Rússia.
Bancos como Goldman Sachs, Itaú Unibanco e BNP Paribas cortaram suas projeções e passaram a prever uma redução menor dos juros, de 0,25 ponto porcentual, e não mais de 0,50 pp no Brasil, na reunião desta semana. A Selic está em 15,00% ao ano, e este encontro tem sido aguardado pelo mercado diante da expectativa de que o Banco Central (BC) inicie o ciclo de corte das taxas no País.
Nos Estados Unidos, o mercado passou a se dividir entre setembro e outubro como os meses mais prováveis para a retomada de quedas de juros pelo Federal Reserve (Fed), após leituras divergentes da inflação e a revisão para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Por sua vez, a recente disparada nos preços do petróleo e de outras commodities relacionadas à energia levou os mercados a ampliar a previsão de aumento de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) em 2026.
“A reavaliação do caminho das taxas de juros refletiu expectativas de inflação de curto prazo mais elevadas, especialmente desde o início do conflito”, diz o organismo em seu relatório trimestral.
De acordo com o assessor econômico e chefe do Departamento Monetário e Econômico do BIS, o ponto fundamental é o tempo de duração da guerra e seus efeitos. “Ainda não está claro”, disse. Os ataques tiveram início em 28 de fevereiro e já estão na terceira semana. De lá para cá, os preços do petróleo saltaram quase 40%, encostando no patamar de US$ 120 por barril, o que não se via desde a invasão russa à Ucrânia, em 2022.
“Realmente depende do tempo que o conflito dura e do prazo em que o aumento do preço do petróleo será sustentado”, disse o assessor econômico e chefe do Departamento Monetário e Econômico do BIS.
“Se for um choque de oferta temporário e as expectativas de inflação estiverem bem ancoradas, o banco central deve ignorá-lo”, sugeriu Shin.
Cenário incerto
O BIS alerta, em relatório, que a comunicação da política monetária tornou-se mais desafiadora nos últimos anos, após choques sem precedentes como a pandemia de covid-19 e o aumento das tensões geopolíticas. Neste cenário, a palavra “incerteza” passou a ocupar mais espaço nas comunicações ao mercado, mostra análise do organismo.
Enquanto, em 2006, a maioria das declarações de política monetária não mencionava “incerteza”, em 2025 a proporção de palavras relacionadas nessas declarações subiu para cerca de 15%, conforme a amostra, que considera o Brasil. Da mesma forma, a proporção de discursos de autoridades de bancos centrais que mencionaram a incerteza como tema principal aumentou para cerca de 40%, segundo o BIS.
Dada a incerteza sobre a escala e a duração dos conflitos no Oriente Médio, o tamanho do impacto macroeconômico dependerá, em última análise, da exposição dos países às interrupções no fornecimento de petróleo e de sua dependência energética, avaliou. “Se o conflito persistir ou se expandir além das expectativas atuais, isso pode desencadear ajustes acentuados nas expectativas de inflação e nas condições financeiras”, alertou.
Para ele, o mercado vive um momento em que a era pós-covid-19, marcada pelo salto da inflação em todo o mundo, seguida de um choque de juros nas principais economias, deixou uma marca “muito profunda”. “É uma espécie de reação instintiva a esse episódio”, avaliou, acrescentando: “e talvez seja um sinal dos tempos”.
Fundado em 1930, o BIS é considerado uma espécie de ‘pai’ para os bancos centrais. Trata-se da instituição financeira internacional mais antiga do mundo, cuja principal função é promover a estabilidade monetária e financeira global.
Contato: aline.bronzati@estadao.com
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