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12 de março de 2026
Por Isadora Duarte*
Não-Me-Toque, RS, 12/03/2026 – A Yara Brasil, fabricante de fertilizantes, vê parte dos produtores antecipando as compras de fertilizantes para a safra 2026/27 após o aumento dos preços internacionais dos adubos, impulsionados pela elevação do gás natural e pelo conflito no Irã. “Após o início do conflito, vimos avanço nas compras em alguns mercados. Paraná e Mato Grosso do Sul estão mais acelerados, mas outros Estados da região Sudeste, Centro-Oeste e Sul estão mais lentos nas compras”, afirmou o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, ao Broadcast Agro durante os bastidores da Expodireto Cotrijal, uma das maiores feiras agropecuárias do País, realizada em Não-Me-Toque no norte do Rio Grande do Sul.
Ele acredita que se trata de um movimento pontual, com um pico de comercialização e depois reacomodação dos negócios, como foi visto na iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia e Hamas e Israel.
Segundo Schmitz, o ritmo de compra de fertilizantes para a próxima safra está estável ante a temporada passada, mas retraído em relação à média de cinco anos. “Produtores buscam entender as relações de troca e as rentabilidades esperadas para os cultivos. Produtores de culturas de inverno ainda observando a rentabilidade, com margens mais achatadas devido à relação entre custo de produção e preços de commodities, o mesmo se observa na comercialização de adubos para a safra de soja, que está mais retraída”, analisou o vice-presidente da Yara. “Dada a rentabilidade mais baixa dos grãos na comparação com o histórico das safras, agricultores postergam as compras aguardando melhores oportunidades de relações de troca”, apontou Schmitz.
Para o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o principal impacto da guerra no mercado de fertilizantes será o aumento do preço dos nitrogenados, após o gás natural ter subido cerca de 30%. “Não temos fornecimento de ureia do Irã, mas há efeito em preços. Se a guerra perdurar, é difícil estimar até quando as empresas e o setor vão conseguir segurar o custo e não repassar integralmente”, apontou Rezende. Ele mencionou que a companhia não repassou o aumento do preço dos nitrogenados observados desde o início da guerra no Irã ao valor final dos produtos da Yara. “O cenário agora é de incerteza e insegurança em dificuldade de oferta de matéria-prima e de custo de matéria-prima, visto que o Brasil ainda demanda importar boa parte do seus fertilizantes”, disse.
*A jornalista viajou a convite da Bayer
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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