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Gripe aviária/Argentina: país confirma terceiro foco em aves comerciais na província de Buenos Aires

9 de março de 2026

Por Guilherme Nannini

São Paulo, 09/03/2026 – O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina confirmou no último sábado (7) a detecção de um novo caso de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) subtipo H5 em um estabelecimento de aves comerciais no partido de Bolívar, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado em uma unidade de reprodutores e marca a terceira ocorrência em aves de produção comercial desde que o país perdeu sua condição de livre da doença perante a Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA) no fim de fevereiro.

Imediatamente após a confirmação laboratorial, o órgão sanitário ativou o plano de contingência e delimitou uma Zona de Controle Sanitário (ZCS), que abrange um raio de perifoco de 3 quilômetros e uma área de vigilância de 7 quilômetros ao redor da granja afetada. Nessas áreas, as autoridades intensificam o monitoramento epidemiológico, o rastreamento de possíveis nexos com outras unidades produtivas e a restrição de movimentos de aves e insumos. Conforme os protocolos vigentes, o Senasa supervisionará o despovoamento e a disposição final das aves, seguido por procedimentos de limpeza e desinfecção rigorosa do local.

Este novo episódio em Bolívar sucede as detecções anteriores ocorridas nas localidades de Ranchos e Lobos e a identificação do vírus em aves silvestres na capital argentina no fim do mês passado. Apesar da suspensão das exportações para destinos que exigem o status de país livre de IAAP, o Senasa ressalta que as negociações bilaterais permitem a manutenção das vendas de produtos avícolas para mais de 35 nações que aceitam os critérios de regionalização e compartimentação. O impacto comercial atual é considerado inferior aos eventos sanitários de 2023 e 2025, com uma redução próxima a 47% no volume de mercados atingidos em comparação com crises passadas.

O governo argentino reforçou a orientação para que os produtores fortaleçam as medidas de biosseguridade e higiene, recomendando que aves comerciais sejam mantidas protegidas do contato com espécies silvestres e que os detentores de aves domésticas não comerciais utilizem indumentária exclusiva para o manejo. Caso não sejam registrados novos surtos em estabelecimentos comerciais nos próximos dias, o país poderá buscar a recuperação de sua condição sanitária 28 dias após a conclusão dos trabalhos de abate e desinfecção nas unidades afetadas.

Contato: guilherme.nannini@estadao.com

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