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9 de março de 2026
São Paulo, 09/03/2026 – A indústria de Exchange Traded Funds (ETFs) tem mais de duas décadas no Brasil, mas, apesar da fama de “País da renda fixa” no mercado local, cresceu inicialmente apoiada em estratégias de renda variável. Agora, depois do boom vivido em 2025 com aumento de produtos, investidores e patrimônio líquido, as gestoras começam a fechar esse gap.
Boa parte dos últimos lançamentos do mercado é de ETFs de renda fixa. Segundo as gestoras, pouco disso tem a ver com o momento de juros de dois dígitos e um retorno acima de 1% ao mês em estratégias conservadoras.
Trata-se de um movimento maior de consolidação, que busca atrair – e educar – o investidor que já é muito acostumado com os títulos de renda fixa a fazer essa alocação por meio dos ETFs. A bandeira principal não são os juros ou o retorno dos ativos, mas os benefícios que o produto oferece. ETFs de renda fixa têm uma série de vantagens tributárias em relação a títulos e fundos da classe.
“As gestoras estão vendo uma oportunidade de trazer aquilo que o brasileiro já está muito acostumado, já que boa parte investe entre 70% e 80% do patrimônio em renda fixa, para os ETFs. É um movimento recente, porque antes isso não era visto como possível”, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo. “Os ETFs de renda fixa são a galinha dos ovos de ouro hoje, porque fazem sentido para a grande maioria dos portfólios brasileiros”, diz Mançanares.
Essa combinação de vantagens começa a ganhar mais espaço no debate, o que ajuda os produtos a ganharem tração para além dos investidores pessoa física, segmento no qual a indústria se popularizou primeiro. Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset, destaca que assessores de investimento têm se mostrado cada vez mais interessados na alocação de renda fixa via ETFs. É um desafio que as grandes gestoras têm encabeçado junto, espalhando a informação com viés de educação financeira. E que começa a dar resultado.
“Os assessores capturaram muito mais rápido essa nuance dos ETF de renda fixa, principalmente a questão tributária. Os efeitos positivos estão se tornando mais tangíveis para o investidor”, afirma o diretor da Nu.
Deixar esses benefícios claros ao mercado pode ajudar a atrair ainda um outro público, que não utiliza muito os ETFs na alocação de renda variável porque tem acesso a estruturas mais sofisticadas, mas pode querer as vantagens na renda fixa. São os investidores institucionais, um nicho menor, mas de tíquete elevado que poderia fazer a indústria captar muito mais.
Kikuchi, da Nu Asset, destaca que foi assim que a indústria global de ETFs ganhou tração, mas, no Brasil, esse perfil ainda está longe de ser relevante como pode ser. “O institucional é um grande alocador de renda fixa. A padronização do ETF, com a liquidez, transparência e oferta de soluções, ganha cada vez mais valor também para esse grupo”, diz.
Lançamentos. Enquanto a indústria tenta fechar o gap de produtos que existem entre a renda fixa e a variável, as gestoras fazem a mesma coisa internamente. Os últimos lançamentos de ETFs feitos pela Itaú Asset, a Nu Asset e a Investo seguem o mesmo racional: completar a prateleira de produtos, oferecendo aos clientes novas estratégias que possam complementar o “asset allocation” oferecido dentro de casa.
A Itaú Asset lançou no mês passado quatro novos ativos de renda fixa. Um é prefixado, o 5PRE11; enquanto os outros três seguem o Tesouro IPCA+ com diferentes prazos de vencimento – são os TD3511, TD5011 e TD6011. Em dezembro, a gestora já tinha lançado um produto de Tesouro Selic, o LFTI11.
As novidades completam as opções que a gestora já tinha disponível. No segmento de juro real, por exemplo, a Itaú tem ETFs que seguem os tradicionais índices de referência, como o IMA-B. Agora, estreiam ativos com prazos fixos para atingir investidores que querem estratégias específicas.
O objetivo não é que os ativos sejam “concorrentes” das outras estratégias que já estão na prateleira, mas sim um complemento na hora de montar o portfólio.
Na Investo, o racional é parecido. A gestora não está deixando de lado as estratégias de renda variável, que ainda são a maior parte de seu portfólio, mas sim complementando as soluções de investimento que pode oferecer aos clientes.
Também em fevereiro, a casa listou na B3 em parceria com a V8 Capital um novo ETF de letras financeiras (LF), o LFIX11.
O LFIX11 é o terceiro ETF ligado a letras financeiras que estreou na B3 nos últimos meses. O BTG Pactual lançou um ativo da estratégia em setembro de 2025, o LFNI11, enquanto a Nu Asset listou o NFLA11 em dezembro. (Luíza Lanza)
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