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Ver para crer

Construtoras querem pegar o bonde da mudança da sede do governo do Estado de São Paulo? Confira

4 de março de 2026

Por Circe Bonatelli

Apesar do entusiasmo com que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) bateu o martelo para o leilão da nova sede do governo de São Paulo, há uma certa dose de incerteza no ar sobre o longo caminho que precisará ser percorrido até o empreendimento ficar pronto e colocado em uso.

Um empresário do setor da construção que conversou reservadamente com a <b>Broadcast</b> disse que só vai lançar um empreendimento na vizinhança dos Campos Elísios quando as obras da nova sede começarem a andar. “Quero ver para crer”, afirmou. Esse empresário já fez vários prédios na região central, mas suspendeu novos projetos por causa da deterioração nesse pedaço da cidade ao longo dos últimos anos. Embora ele diga acreditar no projeto da nova sede do governo paulista, ponderou que há vários desafios a serem superados para as edificações ficarem de pé e a esperada revitalização do centro se evidenciar.

Uma delas diz respeito ao processo de desapropriação de 312 imóveis nos entornos da Avenida Rio Branco. O contrato de concessão da nova sede prevê que o concessionário ficará com essa responsabilidade, negociando diretamente com os moradores. Mas, como é sabido, as desapropriações podem se tornar um grande litígio, sem data para acabar. “Quando vai para a via judicial, não temos muito controle do tempo, né? Então, imaginamos que pode ter algum problema no meio do caminho”, admitiu o diretor da M4, integrante do consórcio vencedor da concessão, Felipe Mahana, em entrevista coletiva à imprensa após o leilão.

Aliás, o leilão realizado na B3 teve, do lado de fora, protestos de integrantes de movimentos que lutam contra a falta de moradia na capital paulista. E no próprio leilão, o governador Tarcísio foi abordado por uma manifestante contrária às desapropriações.

Embora haja alguma incerteza no ar, é preciso dizer que há quem confie no projeto, já que o leilão atraiu dois grupos interessados em assumir a empreitada. O vencedor foi o consórcio MEZ-RZK Novo Centro, que reúne cinco empresas, encabeçado pela RZK Empreendimentos (37,5%), Zetta infraestrutura, a M4 Investimentos e a Engemat (cada uma com 20% de participação) e a Iron Property (2,5%). O consórcio vencido foi composto por Construcap e Acciona.

Se a nova sede do governo paulista se concretizar como previsto, contará com sete edifícios mais modernos que a maioria na Faria Lima e reunirá 22 mil servidores públicos num só local – o que tem potencial para despertar o comércio e a moradia nessa região. Mas, em paralelo, o governo estadual também precisará dizer o que vai fazer com o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, e com os prédios antigos que abrigam secretarias estaduais que mudarão de endereço – sob pena de deixar prédios vazios em outros cantos, criando buracos  na malha urbana e no patrimônio público.

Toda essa equação precisa ser resolvida para que a empreitada do Governo de São Paulo não se torne uma obra sem fim, ou um elefante branco, como tantos outros projetos no País. O exemplo máximo nessa linha é o Centro Administrativo (Centrad) construído para abrigar a sede do Governo do Distrito Federal. Com 16 edifícios no entorno de Brasília, o empreendimento foi inaugurado em 2014, mas nunca foi usado. Hoje, ele está sendo usado para outro fim, bem menos nobre: a complexa costura de garantias patrimoniais para capitalização do BRB, derivado dos escândalos do Banco Master.

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