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3 de março de 2026
Por Daniel Tozzi
São Paulo, 3/3/2026 – O resultado do Produto Interno Bruto (´PIB) do quarto trimestre confirmou a leitura de que há um processo de desaceleração da economia doméstica e, sob o ponto de vista da atividade, deve corroborar o “plano de voo” do Banco Central e referendar um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic neste mês. A avaliação é do economista-chefe do Banco do Brasil, Marcelo Rebelo.
Conforme divulgou o IBGE, o PIB cresceu 0,1% na margem nos últimos três meses de 2025 e 1,8% na comparação com igual período de 2024, resultados iguais às medianas da pesquisa do Projeções Broadcast. Com o número, o PIB de 2025 encerrou com alta de 2,3%, a mais baixa desde 2020.
“Do ponto de vista da atividade, isso colabora para que o Copom efetivamente inicie com corte de 0,50 ponto porcentual no juro na reunião deste mês, a despeito das incertezas que surgiram com dinâmica geopolítica recente, sobretudo no petróleo e sua conexão com alguns preços”, afirma Rebelo. “Mas, no geral, a atividade está bem em linha com o esperado”, reforça.
Para Rebelo, a divulgação de hoje, com fraqueza na demanda doméstica, também confirmou outros dois aspectos esperados: a desaceleração nas concessões de crédito e a heterogeneidade de desempenho entre os setores da economia, já que a alta do PIB anual esteve bastante concentrada nos chamados setores “menos cíclicos” da economia.
“De maneira geral, uma Selic de 15% teria que ter levado a uma desaceleração bem maior do crédito, mas, se a gente focar na métrica do crédito livre a empresa, que tem uma conexão maior com a política monetária, essa desaceleração pegou forte. No crédito às pessoas físicas tem outras questões, como mercado de trabalho e renda”, detalha o economista-chefe do BB.
Já sobre a heterogeneidade do crescimento do PIB, Rebelo destaca que o ano de 2025 encerrou tendo como destaque a agropecuária. “O ano fechou com aquela cara já imaginada: componentes menos cíclico sustentando, com o agro sendo o principal e também um pouco da indústria extrativa, e os setores de telecomunicação e tecnologia da informação”, enumera. “Nos setores mais cíclicos, a restrição monetária fica mais clara”, emenda.
Contato: daniel.mendes@estadao.com
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