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Um novo Plano Marshall

Como deve ser a reconstrução da Ucrânia no pós-Guerra? Veja o que já está sendo cogitado

3 de março de 2026

Por Fábio Alves

As rodadas de negociação de paz entre Ucrânia e Rússia ainda estão em curso, sem uma perspectiva concreta de acordo, mas muitos investidores já estão de olho nos eventuais esforços de reconstrução da infraestrutura e da economia ucraniana como um todo no pós-guerra. A expectativa é que haja também na Ucrânia um novo Plano Marshall, como aconteceu na Alemanha e em outros países europeus afetados pela destruição em larga escala durante a Segunda Guerra Mundial.

“Nos esforços de recuperação do pós-guerra na Ucrânia, poderemos ver algo na linha do Plano Marshall para reconstruir a infraestrutura do país”, disse o chefe de pesquisa e de estratégia para mercados do Morgan Stanley Wealth Management, Daniel Skelly, em entrevista a uma rede de TV americana sobre a perspectiva de valorização para as bolsas de valores europeias no médio prazo.

No último dia 23 de fevereiro, véspera de a guerra entre Ucrânia e Rússia completar quatro anos, o Banco Mundial divulgou uma nova atualização da sua estimativa de quanto seria necessário para reconstruir a economia da Ucrânia durante a próxima década: US$ 588 bilhões. Esse valor é 12% maior do que a estimativa feita no ano anterior, quando a guerra estava completando três anos de duração, em razão de um aumento de 21% na destruição total ou parcial da infraestrutura de energia da Ucrânia.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse ontem que, apesar dos ataques militares dos Estados Unidos e Israel ao Irã no fim de semana, uma nova rodada de negociação de paz entre Ucrânia e Rússia foi mantida para esta semana. Essa rodada estava prevista para acontecer em Abu Dhabi, mas, em razão do conflito no Oriente Médio, Zelensky disse que essa rodada de negociação poderá ser transferida para ocorrer na Turquia ou Suíça.

Independentemente de um acordo de paz com o presidente russo Vladimir Putin, muitos analistas dizem que um novo Plano Marshall para reconstruir a Ucrânia, com participação de capital privado, só será viável caso a Ucrânia consiga se tornar membro da União Europeia (UE). O argumento é que, como membro da UE, a Ucrânia teria mais segurança e reforço institucional de se proteger ou de evitar futuros novos conflitos e invasões com a Rússia. E essa segurança é fundamental para dar tranquilidade aos investidores que queiram aplicar em fundos constituídos com capital privado para investir na reconstrução da infraestrutura de energia ucraniana.

É bom lembrar que, nos primeiros anos da guerra entre Ucrânia e Rússia, a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, tentou levantar bilhões de dólares para os esforços de reconstrução da Ucrânia. Os executivos da BlackRock chegaram até a trabalhar conjuntamente com o presidente Zelensky para montar uma estratégia financeira, que envolveria recursos de US$ 800 bilhões, para os esforços de reconstrução do país – intitulada “plano de prosperidade”.

Mas esses esforços não foram adiante na época. Todavia, com o presidente Donald Trump pressionando Zelensky e Putin para chegarem a um acordo de paz o quanto antes, os executivos da BlackRock voltaram a ser reunir com autoridades da ucrânia em dezembro do ano passado. Mas nada de concreto foi divulgado após esses encontros.

Quanto ao acesso da Ucrânia à União Europeia, Zelensky vem pressionando os líderes da UE para pularem etapas normalmente seguidas por outros países que se tornaram membros do bloco nos últimos anos e apressarem a aprovação da Ucrânia como membro já em 2027. Caso isso aconteça, aumentará a probabilidade de um novo Plano Marshall sair do papel, com dinheiro de investidores globais, além de capital público de diversos países e instituições multilaterais.

O problema é que essa solicitação de Zelensky, de acelerar o acesso da Ucrânia como membro da UE em 2027, está enfrentando enorme resistência de diversos países membros.

Um deles é a Áustria. A ministra para assuntos europeus da Áustria, Claudia Bauer, declarou que o acesso da Ucrânia a membro da UE em 2027 não é um prazo que chamou de realista. Enquanto isso, os investidores em ações de empresas europeias e americanas da área de infraestrutura estão de olho nas negociações à espera de um novo Plano Marshall.

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