Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Fitch: alcance e duração do conflito com Irã determinarão impacto na classificação soberana

2 de março de 2026

Por Isabella Pugliese Vellani e Patricia Lara

São Paulo, 02/03/2026 – As classificações soberanas do Oriente Médio têm margem suficiente para suportar um conflito regional de curta duração que não se intensifique, mas o alcance e a duração da guerra com o Irã determinarão qual será o impacto na classificação soberana, avalia a Fitch Ratings em relatório nesta segunda-feira. Segunda a agência de classificação, o curso do conflito ainda é incerto e danos duradouros à infraestrutura energética chave ou hostilidades prolongadas podem representar riscos.

Segundo a Fitch, os recentes ataques já tiveram um impacto maior do que os de junho de 2025, e o cenário base da empresa é que o conflito dure menos de um mês, sendo moldado por fatores como a destruição da capacidade militar iraniana e a aversão dos EUA a um conflito mais longo e envolvente. Danos materiais à infraestrutura de exportação de energia do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) podem ser considerados como o canal mais provável para pressionar as classificações soberanas, para a Fitch.

A Fitch projeta que o conflito terá um efeito de curto prazo na atividade econômica não relacionada ao petróleo, mas pondera que o efeito no crescimento econômico será temporário, por mais que possam haver danos de longo prazo para aquelas partes da região que se posicionam como refúgios para empresas e indivíduos internacionais.

“É provável que haja algum impacto de curto prazo na atividade de petróleo e gás, particularmente para Bahrein, Kuwait e Catar, que não possuem rotas de abastecimento que possam contornar Ormuz, e Iraque, cujas exportações dependem fortemente da rota”, detalha.

Ainda, eventos geopolíticos ou de segurança que tenham um impacto reelvante na economia ou nas finanças públicas são considerados como “uma sensibilidade de classificação”. “Nosso caso base está sujeito a uma incerteza particularmente alta. Uma interrupção mais prolongada nas exportações de energia do que assumimos provavelmente teria repercussões negativas mais severas para os perfis de crédito soberano na região”, explica.

Contatos: isabella.vellani@estadao.com e patricia.andrioli@estadao.com

Veja também