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20 de fevereiro de 2026
Por Juliana Garçon
Rio, 20/02/2026 – Subsidiária da canadense Homerun Resources, a Homerun Brasil Mineração está investindo R$ 1,725 bilhão para industrializar sílica de alta pureza e produzir, diariamente, mil toneladas de vidro para painéis solares no litoral da Bahia. A expectativa é que a operação tenha início no segundo semestre de 2028 e que o faturamento alcance US$ 273 milhões ao ano.
Hoje em dia, painéis solares são fabricados em diversas regiões do mundo, especialmente na China e nos EUA. Mas só a China e a Índia – em menor escala – produzem vidros para painéis solares, afirma Armando Farhate, diretor de Operações da Homerun Resources. A produção da companhia poderá substituir parte das importações pelo Brasil.
“O vidro é uma peça cuja importação é problemática: é caro e frágil. Isso se reflete no preço dos painéis”, comenta o executivo, citando que, no Brasil, as peças custam o dobro do valor que têm na China.
A reserva de sílica de alta qualidade na qual a Homerun trabalha é estimada em 200 milhões de toneladas. A qualidade do material na região – no município de Belmonte, a duas horas de Porto Seguro (BA) – é especialmente elevada, o que facilita o beneficiamento. Nesta etapa, são eliminadas as impurezas, principalmente ferro.
“Talvez seja a melhor sílica de alta pureza do mundo Ocidental. Na China, não temos certeza do que há”, comenta o executivo.
Nas placas solares, o vidro tem a função de proteger os componentes que recebem a luz. Para o melhor aproveitamento, precisam deixar passar o máximo possível de luminosidade. E partículas de ferro dão um tom amarelado ao vidro, o que tira eficiência do processo. “Por causa da pureza da nossa sílica, o nosso vidro não terá esse tipo de coloração, garantindo maior eficiência na exposição à luz.”
A alta pureza da sílica tem outra vantagem: dispensa o processo tradicional de captura de ferro, feito com antimônio, um metal pesado que é tóxico para humanos – o que cria um problema para a reciclagem do vidro. “Praticamente não há reciclagem hoje em dia”, afirma Farhate. Outra desvantagem do antimônio, completa, é o alto custo.
A produção da Homerun deverá alcançar 365 mil toneladas de vidro por ano, com uso de 300 mil toneladas de areia, e vai atender principalmente o mercado nacional. A empresa diz ter três cartas de intenções de potenciais clientes: duas fabricantes que já montam painéis solares no Brasil e um terceiro que pretende montar uma planta industrial.
A empresa foi batizada com uma referência ao beisebol. O “homerun” é uma jogada em que o rebatedor manda a bola para muito longe, de forma que consegue dar a volta completa nas quatro bases num mesmo lance, sem ser eliminado, marcando a máxima pontuação.
Areia bruta
Uma outra linha de negócio será a venda de areia bruta no mercado doméstico, com um potencial de dezenas de milhares de toneladas por mês, diz Farhate. O projeto, considerado mais simples, está em fase de análise técnica interna e deve ser implementado em poucos meses.
Há ainda o projeto de fazer uma planta de purificação de sílica para atender segmentos de alto valor agregado. A produção deve chegar a 120 mil toneladas por ano, estima a empresa. O prazo estimado para a implantação é de 12 meses.
Desafio do financiamento
Instalada em 2023 em Belmonte no litoral da Bahia, a mineradora participa de uma onda de investimentos na mineração baiana. No estado, além do insumo de alta qualidade, o empreendimento conta com gás de baixo custo para a etapa de beneficiamento.
A área de concessão pertence à Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM) que cedeu as áreas na forma de leasing, com pagamento de cerca de R$ 50 por tonelada em royalties pelo uso da areia, com foco em fazer beneficiamento e agregação de valor no Brasil.
A Homerun, diz o diretor de Operações, busca ter o máximo controle sobre a reserva. “Há pouca área de reserva fora de nosso controle.”
Mas a companhia não fará a extração da sílica diretamente. A atividade será desenvolvida por empresas parceiras, e a Homerun se ocupará do beneficiamento da sílica e da fabricação do vidro. No momento, o empreendimento aguarda que a conclusão do estudo de viabilidade bancária confirme as suas projeções e emita um certificado de viabilidade industrial. A expectativa é de que o documento saia até o segundo trimestre de 2026.
O maior desafio aos projetos é financiamento. “O ambiente econômico brasileiro não é favorável, com juros altos, burocracia e condicionantes socioambientais”, comenta Farhate.
“O BNDES se interessou e pré-aprovou R$ 550 milhões, equivalente a um terço do investimento. Vamos buscar garantia com bancos do Canadá e da Alemanha, de onde virão os equipamentos pesados, que são a parte mais custosa, o equivalente a 120 milhões de euros.”
A empresa conta, para favorecer o sucesso do empreendimento, com o asfaltamento em um trecho de 15 km, para o qual já há uma carta de intenções da prefeitura. Em dezembro, foi concluído o projeto executivo do projeto, e a execução deve acontecer a tempo para atender a construção da fábrica.
Contato: juliana.garcon@estadao.com
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