Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
19 de fevereiro de 2026
Por Guilherme Caetano, do Estadão
Brasília, 19/02/2026 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tem ajustado o tom de seu discurso e publicações nas redes sociais para tentar corrigir uma percepção “errônea” identificada nos eleitores, de acordo com seus aliados.
Flávio já vinha se colocando como um contraponto mais moderado ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A mudança na comunicação foi reforçada após pesquisas internas mostrarem um público moderado ressabiado com uma suposta identificação de Flávio com os militares – carreira da qual ele nunca fez parte. A equipe do senador passou a defender a necessidade de um movimento ao centro para alcançar um eleitorado além da direita ideológica.
Os aliados de Flávio estão trabalhando formas de tentar dissociá-lo do militarismo e dialogar com um público que rechaça discursos estridentes. Nas entrevistas qualitativas, o senador é pouco conhecido além de “filho de Jair Bolsonaro” por um grupo de pessoas cujo voto pode ser determinante para ele derrotar o PT em outubro.
Nos últimos dias, Flávio fez publicações defendendo o carnaval e a luta antirracismo do jogador Vinicius Júnior, atacante da Seleção Brasileira de Futebol, e endossou uma mensagem do irmão Eduardo direcionada à comunidade LGBT.
“Não é de hoje que @vinijr tem sofrido ataques desse tipo, tanto nos gramados quanto fora deles. Não podemos nos calar e deixar o racismo silenciar um dos maiores talentos do nosso futebol. Vini, você tem todo o nosso apoio. O Brasil está do seu lado!”, escreveu Flávio após uma denúncia de racismo feita pelo atacante durante uma partida entre o seu clube, Real Madrid, e o português Benfica.
Flávio também explorou a brecha aberta pelo governo Lula após a escola de samba Acadêmicos de Niterói homenagear o presidente da República em seu enredo – em ano eleitoral.
A presença de Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, e membros do governo na Marquês de Sapucaí durante o desfile atiçou a oposição, que acusa o evento de propaganda eleitoral antecipada, o que é vedado por lei.
O senador escreveu nas redes sociais, na segunda-feira, 16, uma mensagem dirigida às pessoas que “não são simpatizantes nem de Bolsonaro nem de Lula” e que “não se declaram nem de direita nem de esquerda” para criticar o desfile.
“Lula zomba do povo. O carnaval é cultura, é tradição e merece respeito. O que não dá para aceitar é usar dinheiro público para atacar a fé de milhões de brasileiros enquanto políticos aplaudem de camarote”, publicou, em referência às fantasias que retrataram famílias conservadoras “dentro” de latas de conserva. A escola acabou rebaixada nesta Quarta-feira de Cinzas.
Nesta quarta-feira, 18, Flávio voltou ao tema, mas com um discurso de enaltecimento ao carnaval. Ele mencionou a Marquês de Sapucaí no Rio, o sambódromo do Anhembi em São Paulo, o Galo da Madrugada em Recife (PE) e “os blocos nas ruas da Bahia, Minas Gerais e tantos outros lugares tomados de gente” para chamar o carnaval de “uma das festas mais populares do planeta”.
“A gente está testemunhando o trabalho duro de milhares de pessoas: costureiras, artesãos, músicos, coreógrafos, ferreiros, pintores, carnavalescos, produtores culturais, comerciantes, profissionais do turismo, policiais. Carnaval não é só festa, é muito trabalho também. É um exemplo de como o Brasil pode ser criativo e fazer muito, mesmo com pouco. Parabéns a todos que se dedicaram o ano inteiro para que essa festa pudesse acontecer”, afirmou, em um vídeo publicado nas redes sociais.
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, entrou na estratégia. Na terça-feira, 17, ele compartilhou a publicação de um apoiador gay segundo a qual “Flávio apoia a liberdade de todos”.
Abaixo do texto, uma imagem gerada por inteligência artificial mostra o apoiador dando um beijo na bochecha de um Flávio sorridente, à frente de uma bandeira LGBT. “Vocês já ouviram alguma fala homofóbica de Flávio?”, questiona a mensagem. O senador deixou uma curtida na publicação.
Aliados de Flávio defendem que ele faça uma viagem ao Norte do País para cumprir agendas com povos tradicionais, em mais uma tática de demonstrar moderação.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, nega que o discurso seja fruto de estratégia. “Ele é um senador com mandatos de deputado estadual, que conhece a política, que tem sensibilidade. O que ele tem feito e tem dito tem muito pouco de cálculo e mais de espontaneidade. Ele tem a essência da defesa dos valores que representam a direita, mas não é uma direita truculenta, que antagoniza com os outros”, afirma Marinho.
O discurso de Flávio destoa daquele usado por Jair Bolsonaro nos anos anteriores à sua chegada ao Palácio do Planalto, quando passou a ser mais comedido. Críticos do ex-presidente costumam resgatar suas declarações ofensivas às comunidades negra, LGBT e feminina, por exemplo.
No carnaval de 2019, o então presidente compartilhou a imagem de um ato sexual em meio à folia em São Paulo. “Temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro”, dizia a publicação de Bolsonaro em uma rede social.
Bolsonaro foi processado por crime de racismo por ter usado uma expressão depreciativa contra negros, em abril de 2017. “Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”, disse ele na ocasião.
O ex-presidente também já sofreu condenações por declarações homofóbicas. Ele chegou a dizer, em 2011, que “ninguém tem prazer de ter um filho gay”, que nem lhe passava pela cabeça ter um filho gay “porque eles tiveram uma boa educação, eu fui um pai presente” e que ter um filho homossexual seria “igual à morte”.
Veja também