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5 de fevereiro de 2026
Por Circe Bonatelli
São Paulo, 05/02/2026 – Após um crescimento acelerado em 2025, o mercado imobiliário da capital paulista tende a diminuir o ritmo em 2026, de acordo com projeções do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Para este ano, a previsão é de estabilidade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais, na média.
Para os empreendimentos dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a previsão é que os negócios fiquem estáveis ou tenham uma alta de até 5% – uma expansão em linha com o aumento do orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o setor neste ano.
Já para o segmento de médio e alto padrão, o Secovi-SP estima que haja uma oscilação entre queda de 2% e alta de 2% no ano. Aqui, o principal desafio envolve a confirmação da queda dos juros da economia brasileira, uma vez que a compra e a construção das moradias depende de linhas de crédito bancárias.
“Nós temos Copa do Mundo, feriados, eleições e a questão dos juros. Mesmo caindo, ele ainda é alto”, afirmou o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim.
Além disso, outro desafio para o setor está em escoar os estoques de imóveis não vendidos, que chegaram a níveis recordes – embora os empresários não considerem isso um problema.
Números do mercado
Conforme pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 5, os lançamentos de imóveis residenciais subiram 34% em 2025 na comparação com 2024, totalizando 139,7 mil unidades. Já as vendas cresceram 9%, para 113 mil unidades.
Houve, portanto, 26,7 mil apartamentos lançados no ano e que não foram vendidos no mesmo período. Com isso, o estoque cresceu 40,3% em um ano, para 85,2 mil unidades.
Na média, a velocidade de vendas (que mede a quantidade de unidades vendidas em relação ao estoque disponível) em 2025 foi de 12,3%, o que representa um recuo de 0,9 ponto porcentual perante 2024.
“Olhando as vendas que estão acontecendo mês a mês, não nos preocupa a situação do escoamento dos imóveis”, afirmou o presidente executivo do Secovi-SP. Ele argumentou que a quantidade de imóveis prontos no estoque é muito baixa. Quase todas as unidades ainda estão na planta ou em fase de obras, o que dá bastante tempo para as empresas comercializarem esses imóveis. “E a perspectiva é de queda da taxa de juros e aumento de financiamento ao comprador, o que ajudará nas vendas”, disse.
Segundo pesquisa do Secovi-SP, apenas 1% do estoque são unidades prontas – que geram custos de manutenção e condomínio para as empresas, criando um problema real. Atualmente, 47% das unidades estão em obras e 51%, na planta.
Por outro lado, o presidente do Secovi-SP admitiu que o mercado imobiliário está sentindo o peso dos juros altos, que perdura há cerca de dois a três anos. “Não da para imaginar que o mercado vai crescer sempre de forma exponencial. Talvez estejamos caminhando para uma estabilização”, ponderou, ao referir-se às projeções mais moderadas pela frente.
O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, acrescentou que a velocidade de vendas também permanece saudável, a despeito do leve recuo na comparação anual. A liquidez menor foi registrada principalmente entre os imóveis cujo valor fica entre R$ 700 mil e R$ 2,1 milhões – que foram mais impactados pelo financiamento a juros altos. “Foi isso que puxou a velocidade de vendas média para baixo”, assinalou.
A eleição presidencial é um outro ponto de atenção para a classe empresarial, afirmou o recém-empossado presidente geral do Secovi-SP, Jorge Cury. Para o setor, a expectativa está concentrada na posição dos presidenciáveis em relação ao equilíbrio das contas públicas e também à segurança – que afeta o dia a dia nas cidades. “Se na campanha eleitoral, os candidatos trouxerem a preocupação com o déficit fiscal e apontaram para uma tendência de estabilidade, isso já melhora o clima”, disse Cury.
Setores
Os empreendimentos dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV) têm sido o motor de crescimento do mercado imobiliário, respondendo por mais da metade dos negócios. Em 2025, os lançamentos e as vendas dentro do programa habitacional aumentaram 30%, para 85,3 mil unidades (61% do total), enquanto as vendas subiram 25%, para 72 mil unidades (63,7% total). Na média, os apartamentos do MCMV foram vendidos por R$ 265,5 mil na cidade de São Paulo no ano passado.
Os imóveis dentro do MCMV respondem por 55% do estoque total, somando 46,4 mil unidades (alta de 42,7%). No ritmo atual das vendas, esse estoque seria suficiente para abastecer a demanda por oito meses em casos de moradias populares.
Já o segmento de médio e alto padrão ampliou os lançamentos em 41% em 2025, para 54,3 mil unidades, e as vendas caíram 11%, para 40,9 mil unidades. Neste mercado, o valor médio dos imóveis foi de R$ 1,1 milhão. Aqui, o estoque chegou a 38,8 mil unidades (avanço de 38,5% em um ano), o equivalente a onze meses de vendas.
Contato: circe.bonatelli@estadao.com
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