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Itaú propõe plano de ajuste fiscal que traria superávit primário de 1,3% do PIB em 2028

2 de fevereiro de 2026

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo, 02/02/2026 – O Itaú propôs um plano de ajuste fiscal baseado principalmente em redução de gastos públicos que, nas contas do banco, poderia gerar um superávit primário equivalente a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2028 e de 3,7% do PIB em 2036. As medidas sugeridas, porém, afetariam desde as regras de aposentadoria até benefícios sociais, como os programas Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

“O ajuste incorporaria um conjunto robusto de medidas, incluindo temas notoriamente difíceis, como a relação entre gastos e o salário mínimo e pisos constitucionais, reformas na Previdência e assistência social, corte de subsídios e revisão de benefícios tributários, visando uma melhora no resultado primário de 6,8 p.p. do PIB até 2036 na comparação com o cenário sem reformas, sendo cerca de 70% disso proveniente do controle de despesas”, diz o Itaú em relatório.

“As medidas contempladas têm graus variados de viabilidade política, mas julgamos que os políticos são mais qualificados do que os técnicos para apontar o que pode ou não ter apoio suficiente, a cada momento do tempo”, acrescenta.

A desindexação do salário mínimo é uma das medidas com maior efeito sobre o resultado primário (1,2% do PIB em 2036). A proposta é que ele passe a ser corrigido apenas pela inflação, sem crescimento real, como ocorre atualmente.

Segundo o banco, isso eliminaria um mecanismo de expansão fiscal “desconectado da capacidade de financiamento do Estado e a distorção em que ganhos de produtividade da população ativa são transferidos para a população inativa, algo que não acontece na vasta maioria dos países.”

Outra medida com efeito fiscal relevante no horizonte de dez anos é a reforma das regras de aposentadoria (1,00% do PIB). O Itaú propõe que a idade mínima aumente para 68 anos, com a equiparação gradual das regras para mulheres e trabalhadores rurais, e restringindo a concessão de pensão por morte de acordo com a renda e patrimônio do dependente.

No caso do Bolsa Família, o Itaú sugere “aumentar a focalização”, preservando o poder de compra via reajustes pela inflação – que levariam a uma redução do benefício como proporção do salário médio da economia – e reduzindo gradualmente o número de beneficiários aos níveis pré-pandemia, tornando possível reduzir a despesa em cerca de 0,5% do PIB em 10 anos.

“Também seria importante reavaliar subsídios e programas considerados pouco eficientes ou mal focalizados. Rever o MCMV, que acumulou evidências de baixo grau de planejamento urbano, ineficiências em sua execução e um desenho que tende a selecionar beneficiários menos inseridos no mercado de trabalho, com impacto negativo na formalização, e por existirem alternativas mais eficientes no crédito privado, eliminaria subsídios diretos (0,13% do PIB em 2036)”, avalia o Itaú.

Veja abaixo o conjunto resumido das propostas e o quanto elas poupariam como proporção do PIB em horizontes de dois e dez anos.

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Contato: gustavo.nicoletta@estadao.com

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