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28 de janeiro de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente
Nova York – O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve interromper a sequência de três cortes de juros na primeira reunião de política monetária de 2026, que termina hoje. Sob renovada pressão, o presidente da autoridade, Jerome Powell, deve evitar dar pistas sobre o rumo das taxas, em meio às incertezas que cercam o mercado de trabalho e a inflação nos Estados Unidos.
Wall Street precifica chances de mais de 97% de que o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) vai manter os juros estáveis na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano nesta primeira ‘super quarta’ do ano, com decisões de juros nos EUA e no Brasil, segundo a plataforma CME Group. Se confirmada, será a primeira pausa no ciclo de flexibilização monetária iniciado em setembro do ano passado.
Com a decisão amplamente esperada pelos investidores, o ponto de atenção está nas falas do presidente do Fed, Jerome Powell, na tradicional coletiva de imprensa, que ele concede após a reunião. No entanto, o mercado não espera grandes sinalizações quanto ao futuro das taxas nos EUA.
“A reunião de janeiro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) provavelmente será sem grandes acontecimentos, sem mudanças na taxa dos fundos federais, apenas pequenas alterações no comunicado e poucas pistas sobre o caminho futuro da política monetária”, diz o economista do Goldman Sachs, David Mericle.
O Wells Fargo espera que o comunicado pós-reunião e a coletiva de imprensa sinalizem máxima flexibilidade. Os dirigentes do Fomc devem, contudo, se esforçar para deixar as duas opções na mesa, na visão do banco americano, que espera dois cortes de 25 pontos-base nas reuniões de março e junho.
“Mas os riscos para nossa previsão parecem cada vez mais inclinados para cortes mais tardios e possivelmente menos afrouxamento este ano”, admitem os economistas do Wells Fargo, Sarah House, Michael Pugliese e Tom Porcelli. E, considerando a projeção do banco de aceleração econômica em 2026, quanto mais tempo o Fed demorar para voltar a cortar os juros, maior será obstáculo para justificá-lo com base econômica, afirmam.
Bancos como Barclays, Goldman Sachs e Bank of America veem o Fed voltando a cortar os juros somente na reunião de junho. Divergem, porém, sobre o momento da segunda redução deste ano: o BofA aposta em julho, o Goldman em setembro e o Barclays em dezembro.
O encontro do Fomc de janeiro também ocorre em meio à pressão renovada de Washington para o BC americano baixar os juros no país. O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ, na sigla em inglês) abriu uma investigação criminal sobre o depoimento de Powell ao Congresso, no ano passado, a respeito da reforma da sede do BC americano. Os gastos foram estimados em US$ 2,5 bilhões.
A nova ofensiva de Washington contra Powell ampliou os temores de Wall Street quanto à interferência política do governo Trump no Fed. Apesar disso, na visão de operadores e economistas, a maior pressão pode, ao contrário, dificultar a queda dos juros no país justamente para blindar a independência do banqueiro central em um momento de informações divergentes do mercado de trabalho e da inflação no país.
“A política pode ganhar destaque na reunião do FOMC de janeiro. O Fed mantém sua taxa de juros inalterada e o equilíbrio de risco permanece o mesmo”, diz o economista do Bank of America, Aditya Bhave.
Para ele, a coletiva de imprensa do presidente Powell pode ser bombardeada por perguntas sobre política em vez de política monetária. Mas, avalia, deve optar por não comentar além do que já disse na sua extraordinária aparição em um vídeo publicado na noite de um domingo, 11 de janeiro.
Segundo Bhave, a precificação do mercado criou espaço para uma surpresa ‘dovish’ no campo da política monetária, ou seja, mais inclinado a taxas mas baixas. No entanto, o economista acredita que Powell deve manter as futuras decisões de política monetária do Fed dependentes de dados. Mas investidores devem ficar atentos a qualquer mudança de postura quanto à taxa neutra, sugere.
Na visão do Barclays, o Fed deve destacar que a economia americana está se expandindo em ritmo sólido, enquanto a criação de empregos desacelerou e a taxa de desemprego subiu ligeiramente ao longo do último ano. O banco também espera que os dirigentes mencionem que a inflação nos EUA subiu nos últimos meses e permanece elevada.
“Não esperamos que a declaração forneça orientações específicas sobre o rumo futuro da política monetária, mas acreditamos que o texto deva sugerir paciência”, reforça o economista do Barclays, Marc Giannoni.
As sinalizações de Powell quanto ao futuro da política monetária nos EUA devem dividir as atenções com o anúncio de seu substituto. O presidente Donald Trump prometeu revelar o nome do finalista do processo de escolha em breve. Na corrida pela cadeira, o diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, desbancou o ex-diretor do BC americano Kevin Warsh. Agora, o nome de Wall Street tem chances de 47% contra 29% do ex-Fed, respectivamente, conforme a plataforma Polymarket.
O BC dos EUA divulga a primeira decisão de política monetária de 2026 amanhã, dia 28, às 16:00, no horário do Brasil. Powell comenta os resultados da reunião em coletiva de imprensa, 30 minutos depois.
Contato: aline.bronzati@estadao.com
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