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Davos: Flávio Bolsonaro é visto com ceticismo e ainda como uma incógnita no Fórum Mundial

23 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior, enviado especial

Davos, 23/01/2026 – Flávio Bolsonaro não participou do Fórum Econômico Mundial, mas foi um dos nomes mais falados por empresários, banqueiros, acadêmicos e investidores estrangeiros presentes no evento, que acabou nesta sexta-feira. A grande dúvida é qual candidato de direita vai disputar a corrida presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva e quem, de fato, é o filho de Jair Bolsonaro.

A visão de participantes do Fórum é que a eleição neste momento está 50/50, com alguma ligeira vantagem para Luiz Inácio Lula da Silva, por estar sentado na cadeira presidencial.

O crescimento de Flávio em pesquisas recentes surpreendeu, segundo seis empresários ouvidos pela reportagem ao longo do Fórum. Mas ele é ainda uma incógnita. “Em geral, Flávio é percebido como uma versão mais moderada do pai, mas precisamos saber mais, por exemplo, sua equipe de governo”, disse uma fonte, lembrando que o deu grande credibilidade a Jair Bolsonaro em 2018 foi a escolha de Paulo Guedes como ministro da Fazenda.

Outra dúvida sobre Flávio é se o senador não vai ser contaminado pelos problemas do pai. Houve também questionamentos sobre sua capacidade como gestor, capaz de lidar com a economia mundial, cada vez mais incerta, o Congresso, e com os problemas internos. “Ele é mais pragmático que o pai? Está só se mostrando mais soft agora? Para mim, ainda é uma grande incógnita, vejo a possível candidatura com ceticismo”, disse o presidente de uma empresa.

O nome preferido em Davos para o Planalto é o do governador Tarcísio de Freitas, segundo as fontes ouvidas. Mas a chance de candidatura é vista como ficando cada vez mais distante. Ontem, ele anunciou que vai concorrer à reeleição para o governo paulista.

O risco de Tarcísio entrar na disputa presidencial sem aval de Jair Bolsonaro, ressaltou um banqueiro, é ele ser visto como um traidor da família, justamente a que deu projeção política a ele. Nesse caso, poderia ser muito prejudicado nas urnas, argumenta. Este banqueiro conta que nas várias reuniões com empresários estrangeiros e investidores, o tema eleições surgiu.

Sobretudo para o investidor internacional de mais curto prazo, a razão do interesse eleitoral tem relação com a questão fiscal do Brasil, que tem a dívida crescendo em trajetória insustentável. “Ninguém espera nenhum ajuste fiscal este ano, mas todo mundo quer saber o que virá de 2027 para frente”, disse uma fonte, ressaltando que este será o tema dominante para o mercado brasileiro a partir de abril ou maio, quando a disputa ficar clara.

Contato: altamiro.junior@estadao.com

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