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Davos: Brasil conseguiu conversar com EUA pela diplomacia, diz ministra Esther Dweck

21 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior, enviado especial

Davos, 21/01/2026 – Em tempos de piora da relação dos Estados Unidos com a Europa, a ponto de o presidente da França, Emmanuel Macron, engrossar o tom em discurso no Fórum Econômico Mundial contra o presidente Donald Trump, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos do Brasil, Esther Dweck, disse que o governo brasileiro conseguiu pela diplomacia voltar a conversar com Washington, após o governo americano impor tarifas de 50% ao país, na época as mais altas do mundo.

“O que o Brasil fez foi esperar e usar a diplomacia brasileira para conversar e conseguir reverter minimamente a situação”, disse a ministra em um painel no Fórum Econômico Mundial para discutir perspectiva de crescimento na América Latina. Esther Dweck é a única representante do governo brasileiro no Fórum.

“Não é ainda a situação ideal”, disse ela, sobre o fato de os EUA terem retirado parte das tarifas impostas ao Brasil, mas não todas. “Mas foi possível por meio da diplomacia e uma certa calma.” Trump e Luiz Inácio Lula da Silva acabaram se encontrando depois, em uma reunião bilateral.

“A Europa está tentando ser mais altiva na resposta e um pouco diferente de como foi quando teve os aumentos de tarifas”, disse a ministra depois do debate a jornalistas. “A maneira que a gente fez foi uma maneira muito sensata, foi não se apavorar, digamos, e nem tomar nenhuma medida precipitada.”

Neste momento, ressaltou a ministra no debate, ganha ainda mais peso no mundo o acordo comercial fechado entre o Mercosul e a União Europeia após anos de negociações. “Acho que acaba sendo uma resposta em um mundo que está se fragmentando, mostrar que ainda é possível, sim, por meio de integração comercial, produtiva, a gente se fortalecer e crescer.”

“O Mercosul começou as conversas há mais de 20 anos, em momento em que o Brasil já enxergava polarização entre Ásia e Estados Unidos e achou que o parceiro ideal naquele momento seria a Europa”, disse no debate. “E o acordo se concretizou neste momento em que isso se tornou uma coisa muito clara para o mundo, com a polarização entre os dois polos ficando mais clara.”

A integração dos países da América Latina é baixa, disse Dweck, ressaltando que é uma das menores do mundo. Anteriormente, mudanças de governo na região não geravam mudanças em outras frentes, como a comercial, e desordens internas. Mas agora, com a polarização em alta, as transições de governo estão gerando mais atrito, como ocorreu com a Argentina, que gerou problema de geração comercial.

Sobre o crescimento brasileiro, a ministra disse que o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer mais, se aproximando da média mundial. Na questão fiscal, ela disse que o governo reorganizou o orçamento, mudando uma regra que limitava o crescimento econômico.

“Do ponto de vista macroeconômico, em 10 anos, houve redução do déficit fiscal muito forte, mesmo com a retomada muito grande de transferência de renda e investimento público”, afirmou. “Foi possível recompor orçamento e trazer de volta políticas distributivas e investimento.”

Contato: altamiro.junior@estadao.com

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