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20 de janeiro de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 20/01/2026 – As exportações brasileiras de carne bovina devem permanecer em patamar elevado em 2026, mesmo diante da imposição de cotas pela China, avaliou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. A projeção do setor é de embarques entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas, volume semelhante ao registrado em 2025, sustentado pela diversificação de mercados e pelo cenário global de oferta restrita da proteína.
“Nossa avaliação é de estabilidade, algo em torno do mesmo volume e do mesmo nível de preços, a depender do comportamento dos mercados chinês e americano”, afirmou Perosa, em entrevista coletiva concedida ontem (19), na sede da entidade, em São Paulo. Segundo ele, mesmo com a redução de cerca de 35% no volume destinado à China, o Brasil segue operando “no topo da cadeia global”.
Em 2025, o País exportou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, gerando receita de US$ 18 bilhões, segundo dados da Abiec. A China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas, o equivalente a 48% do total embarcado. Para 2026, o governo chinês fixou uma cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil, sem tarifa adicional.
Perosa reconheceu que nenhum mercado isoladamente tem capacidade de substituir o volume chinês. “Não existe outro lugar no mundo que consuma o que a China consome”, disse. Ainda assim, avaliou que a combinação entre novos mercados, intensificação de destinos já abertos e preços mais firmes pode mitigar o impacto. “Não é uma substituição pura. É um mix de novos mercados com redistribuição em mercados existentes.”
O executivo destacou que o déficit global de produção de carne bovina, estimado em cerca de 1 milhão de toneladas em 2026, cria um ambiente mais favorável ao Brasil. Estados Unidos e Austrália enfrentam retração produtiva, o que tende a sustentar preços internacionais. “O mundo não tem carne, e o Brasil tem. Isso muda a dinâmica de negociação”, afirmou.
Entre os mercados com maior potencial de crescimento estão os Estados Unidos, que devem importar cerca de 400 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2026, ante 271 mil toneladas em 2025. O país enfrenta um déficit estimado de 1,5 milhão de toneladas entre produção e consumo. A cota americana de 52 mil toneladas foi integralmente preenchida já no início de janeiro, e os embarques adicionais estão sujeitos a tarifa de 26,4%.
Na Ásia, a estratégia envolve a intensificação de mercados como Indonésia, Filipinas e Vietnã, além da ampliação das habilitações sanitárias. A Indonésia, após autorizar a importação de carne com osso, registrou em novembro de 2025 o maior volume mensal de sua história, com 14 mil toneladas, e pode adicionar entre 50 mil e 60 mil toneladas em 2026, segundo estimativas do setor.
Já a abertura de novos mercados, como Japão, Coreia do Sul e Turquia, tende a ter efeito mais gradual. “Mesmo que o Japão seja aberto este ano, não haverá volume relevante em 2026. Existe um tempo de maturação, de habilitação de plantas e de construção de mercado”, ponderou Perosa, citando o México como exemplo de abertura que levou cerca de dois anos para atingir volumes expressivos.
Do lado da oferta, a Abiec projeta estabilidade da produção brasileira, com abate em torno de 40 milhões de cabeças em 2026. Segundo Perosa, ganhos tecnológicos alteraram a lógica tradicional do ciclo pecuário. “As métricas do passado não se aplicam mais. IATF, ILPF e maior precocidade de abate permitem manter produtividade mesmo com ajustes de mercado”, afirmou.
O presidente da Abiec lembrou ainda que cerca de 70% da produção brasileira é destinada ao mercado interno e que 2026, por ser ano eleitoral, tende a ter estímulos adicionais ao consumo doméstico. “A expectativa é de maior estabilidade de preços no mercado interno, diferente do que vimos em 2025, quando houve alta no primeiro semestre e acomodação no segundo”, concluiu.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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