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19 de janeiro de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 19/01/2026 – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) intensificou, desde o início de janeiro, a interlocução com o governo federal para definir mecanismos de regulação da cota chinesa de importação de carne bovina e evitar uma corrida de embarques no primeiro semestre de 2026. Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, já foram realizadas cinco reuniões com ministérios e secretarias envolvidas no tema. “Se isso ficar sem regulação do governo, pode haver uma corrida. A gente aposta numa regulação governamental e numa parceria”, afirmou Perosa, durante entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, na sede da entidade, em São Paulo.
A China comunicou em 31 de dezembro que o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa adicional em 2026. O volume representa redução de cerca de 35% em relação às 1,7 milhão de toneladas exportadas em 2025. Os embarques que excederem o limite estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%. “São quase 600 mil toneladas a menos. Não tem como negar que haverá impacto”, reconheceu o executivo.
Entre as alternativas em discussão com o governo brasileiro estão a divisão da cota por empresas, nos moldes do modelo adotado para a cota Hilton destinada à União Europeia, a criação de uma linha de crédito emergencial operada pelo BNDES e a exigência de licenças de exportação emitidas pelo governo. “Tudo está na mesa. Não existe bala de prata. Estamos estudando um conjunto de medidas que possa reduzir os impactos”, disse Perosa.
Um dos pontos considerados mais sensíveis é a situação da carne que já estava em trânsito quando a salvaguarda chinesa foi anunciada. Segundo Perosa, cerca de 250 mil toneladas de carne bovina brasileira estavam a caminho da China naquele momento. “Ainda não se sabe se isso entra na cota ou não. O governo está tratando dessa demanda nossa junto às autoridades chinesas”, afirmou.
A Abiec também pleiteia que cotas eventualmente não utilizadas por outros países exportadores sejam redistribuídas ao Brasil. Na sexta-feira, 17, representantes da entidade se reuniram com o Ministério do Comércio da China (Mofcom) para tratar do tema. “A China foi clara: o que importa para eles é o volume anual de 1,106 milhão de toneladas. Como o Brasil vai administrar isso internamente é uma decisão brasileira”, relatou Perosa.
Segundo o presidente da Abiec, a entidade tem mantido um ritmo intenso de reuniões com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de encontros com o secretário-executivo da pasta, Márcio Elias Rosa, e com o secretário de Comércio Exterior, Luís Rua. “Com o MDIC, tratamos de linhas de crédito e da negociação com a China. Com o Mapa, o foco são novos mercados e habilitações de plantas”, afirmou.
Há também incerteza quanto à forma de distribuição da cota ao longo do ano. A leitura inicial do documento chinês indicava uma divisão trimestral, mas consultas posteriores sugerem que a cota é anual. “Ainda não está totalmente claro. Isso exige mais reuniões entre os governos”, ponderou Perosa. Pela conta aritmética, a cota anual corresponderia a cerca de 92 mil toneladas por mês. Para o executivo, a previsibilidade é central. “Em qualquer negócio, estabilidade é melhor do que corrida”, disse.
Ele citou a Austrália como exemplo de país que adota divisão da cota por empresas. “Não pode ser algo solto, como ‘é o ano inteiro e cada um faz o que quiser'”, afirmou. No mercado, a imposição da salvaguarda já teve reflexos nos preços. Segundo Perosa, os valores pagos pela China subiram cerca de 20% no último mês. “Quando há limitação de cota, o mercado se antecipa e tenta comprar mais”, afirmou.
O preço médio passou de aproximadamente US$ 5,5 mil para US$ 6,5 mil por tonelada. O setor estima que o impacto da restrição chinesa pode superar US$ 3,2 bilhões em mercadorias que deixarão de ser exportadas. “Existe risco de demissões, redução de abates e fechamento de plantas. Há empresas que destinam mais de 90% da produção ao mercado chinês”, alertou o presidente da Abiec.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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