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15 de janeiro de 2026
Por Julia Maciel
São Paulo, 15/01/2026 – Os parceiros comerciais do Irã estão em alerta com o aumento da escalada dos protestos motivados pela indignação com a economia do país, sob regime do aiatolá Ali Khamenei, nas últimas duas semanas. O Brasil é um deles. Ainda que a participação do país persa no comércio exterior brasileiro seja baixa, com 0,84% nas exportações brasileiras e 0,03% nas importações, 79% do total de fertilizantes químicos importados pelo País são do Irã. No entanto, o mercado global e investidores do setor enxergam o cenário, por enquanto, com pouca preocupação, na avaliação de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Isso ocorre porque, apesar de o Irã ser um grande exportador de nitrogenados, há rumores de que o país utilize outras bandeiras para enviar os produtos o que, a princípio, não afetaria o comércio internacional. “Há rumores, e investidores também acreditam, que grande parte da carga de nitrogenados do Irã que chega ao Brasil seja internalizada como de outros países”, explica Pernías.
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma rede social que qualquer país que fizer negócios com o Irã terá de lidar com uma tarifa adicional de 25% sobre “todo e qualquer” comércio feito com os Estados Unidos. Apesar de o anúncio não ser oficial e nem ter sido comunicado pela Casa Branca, Pernías destaca que se a medida se concretizar, o Brasil poderia, sim, ser afetado. “Por ser um parceiro comercial, podemos ser prejudicados. No entanto, se os nitrogenados do Irã, de fato, forem redirecionados para outros países parceiros para serem exportados para o Brasil, o impacto seria menor”, comentou.
Entre os parceiros do Irã com grande importância no mercado global de fertilizantes está a Rússia. “Atualmente, os EUA importam fertilizantes da Rússia. Então, se Trump impor essas tarifas, será uma medida um tanto contraditória”, afirmou Pernías. “Agora, se os EUA realmente aplicarem essa sanção aos parceiros do Irã, como a Rússia, que é um grande exportador de fertilizantes para o Brasil, as consequências podem ser muito grandes para nós.”
Entre as saídas apontadas pelo analista está a manutenção do redirecionamento da carga do Irã para outros países. “Muitos países, possivelmente, já fazem o contorno para não aparecer a bandeira iraniana na sua pauta importadora. As sanções pouco afetariam cargas que são redirecionadas.”
Diante do atual cenário geopolítico, Pernías afirmou que o mercado ainda não sentiu os efeitos do conflito no Irã, muito menos as prováveis sanções que poderiam ser impostas pelos EUA. “Ainda não estamos vendo impacto nos preços dos nitrogenados, mesmo com esses temores”, explicou. “Investidores estão mais preocupados se a Índia vai publicar uma nova licitação para importação de ureia nos próximos meses, como ficarão as importações de nitrogenados dos EUA, e com a limitação das exportações de fertilizantes da China à medida que a primavera se aproxima.”
O analista reforça que, enquanto não houver anúncios oficiais sobre as sanções norte-americanas a países parceiros do Irã, essa não será uma preocupação do mercado global de fertilizantes.
Contato: julia.maciel@estadao.com
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