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Com Pix e Open Finance, Brasil vira celeiro de inovação na indústria de pagamentos

14 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior e Gabriel Baldocchi

São Paulo, 13/01/2026 – O avanço rápido do Pix, que já tem 172 milhões de usuários só em pessoas físicas, e a crescente afeição do brasileiro por transações digitais fez o País virar um celeiro para testes das maiores bandeiras de cartões do mundo. A Visa e a Mastercard escolheram na América Latina o Brasil para testar primeiro produtos e serviços que só depois vão chegar a outros mercados e regiões.

Criada no ano passado pela Visa para desenvolver soluções de pagamentos digitais no Brasil, a Visa Conecta virou um exemplo de diversificação do negócio da bandeira no mundo. A atuação inicial da nova área se deu com soluções para o Pix, como biometria e aproximação, mas a previsão é avançar conforme a regulação, em temas como o Pix automático e Pix inteligente, além de iniciativas como stablecoins e até câmbio.

“Todo mês há algum parceiro ou cliente ao redor do mundo querendo saber o que estamos fazendo aqui no Brasil. Querem entender o ecossistema, o Pix e o Open Finance, para se antecipar a movimentos que vão acontecer ao redor do mundo”, afirma Leonardo Enrique Silva, diretor executivo da Visa Conecta.

Já há conversas com países da América Latina para replicar o modelo brasileiro adotado na Visa Conecta, hoje uma empresa independente da subsidiária local da multinacional. “Onde existe movimentação financeira, a Visa precisa estar lá. Cartão é uma forma, mas não a única”, diz Silva.

Há duas razões principais que fazem o Brasil ser hoje um celeiro de novos produtos e soluções no universo global de pagamentos: a atuação ativa e inovadora do Banco Central tornou o País uma referência em termos de regulação, com um ecossistema completo e moderno na área; e a disponibilidade dos brasileiros em abraçar novas funcionalidades, ou no jargão do mercado, os chamados early adapters (altamente adaptáveis às novidades).

Na Mastercard, quatro inovações foram primeiro testadas no Brasil, incluindo o Passkey, que elimina senhas e códigos em compras. Em 2026, uma das principais apostas da bandeira é a transação feita por robôs de inteligência artificial, em que desde a sugestão da compra até o fechamento da operação é realizado por comandos de voz, é o chamado “Agent Pay”, ou “pagamento agêntico”.

Os testes começaram primeiro no Brasil com o Magazine Luiza em novembro de 2025, ainda para um público seleto, por meio da assistente virtual Lu. “Essa tecnologia é uma realidade, não está em escala em todos os lugares. Mas está sendo testada”, disse o responsável pela área digital da Mastercard, Pablo Fourez.

A rede de varejo lançou em novembro um serviço que permite a jornada integral de compras – recomendação do produto, comparação, colocar no carrinho e pagamento – sem sair do WhatsApp. “Você pode conversar com a Lu, que no início era apenas para assistência aos clientes, e pode pedir para a Lu te ajudar a fazer uma compra e ela fará uma compra para você no Magalu, o que é incrível”, disse Fourez.

“A adoção digital é incrível na maioria dos mercados da América Latina”, comenta o diretor da Mastercard. No Pix, por exemplo, no começo de dezembro houve um dia com mais de 313 milhões de operações em 24 horas, um recorde. São mais de R$ 3 trilhões em transações ao mês, como ocorreram nos meses de outubro e novembro de 2025. “O Brasil é um dos nossos principais laboratórios de inovação, dada sua alta digitalização, ecossistema dinâmico de pagamentos e adesão rápida a novas tecnologias”, comenta a bandeira.

O Open Finance brasileiro também se tornou um dos maiores do mundo e contribui para o cenário de inovações. Aproximadamente um terço da população bancarizada no País já participa do modelo e mais de 70 milhões de clientes deram o consentimento para a ferramenta.

Antifraude

O ambiente do Pix foi visto como ideal para a Visa testar uma solução antifraude com inteligência artificial. A ferramenta Protect foi testada ao longo do ano passado em parceiros com peso de mais de 20% em transações Pix. Trata-se de uma solução baseada em IA, com dados proprietários da Visa, para apontar suspeitas de fraude em tempo real, tanto na instituição que está fazendo o pagamento quanto na solução que está recebendo.

O avanço nessa frente foi citado pelo CEO global do grupo, no fim do ano passado, como um exemplo de valor conquistado com modelos baseados em inteligência artificial. A ferramenta avaliou mais de US$ 500 bilhões em transações Pix e ajudou a evitar US$ 90 milhões em fraudes.

O avanço nessas novas frentes são importantes para empresas consolidadas da área que tentam se posicionar na nova era do setor e ir além do tradicional modelo de cartões. O salto para novas iniciativas de atuação no ecossistema de pagamentos busca perseguir um potencial de receitas de US$ 520 bilhões em oportunidades nos chamados serviços de valor agregado, estima a Visa.

São soluções que ajudam os clientes das gigantes de pagamentos a aprimorar a performance e criar serviços melhores para os consumidores e, portanto, são vistas como uma frente essencial de crescimento do negócio. Esse guarda-chuva de novidades abarca desde ferramentas para tornar mais fácil o acesso à rede de pagamentos, como torná-la mais segura e ir além dos pagamentos em si.

Contatos: altamiro.junior@estadao.com e gabriel.baldocchi@estadao.com

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