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Haddad: Reforma tributária nas prioridades do governo foi ‘banho de água fria’ para mercados

13 de janeiro de 2026

Por Flávia Said, Cícero Cotrim e Gabriel de Sousa

Brasília, 13/01/2026 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 13, que o anúncio da reforma tributária como uma prioridade do terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um “banho de água fria” para atores do mercado que duvidavam da aprovação das mudanças. Segundo Haddad, ele ouviu de aliados que estava “contratando um desgaste” para a gestão petista.

“Aquilo foi um banho de água fria nos chamados mercados. Quer dizer que invés de cortar direitos trabalhistas, de cortar direitos sociais, de encolher o Orçamento, de encolher o Estado, de vender empresa estatal, o ministro anuncia que vai fazer uma reforma tributária que já foi tentada 10 vezes e não foi bem-sucedida? Ouvi até de colegas dizendo que estava contratando um desgaste para o governo Lula”, declarou Haddad.

Haddad disse ainda que a reforma tributária estava no plano de governo de Lula para as eleições de 2018, na qual o atual presidente foi impedido de concorrer devido às condenações da Operação Lava Jato. Segundo o ministro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não procurou conduzir o tema por “total desconhecimento” e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes por ter “outras pretensões de tributação”.

“Infelizmente quem ganhou a eleição em 2018 foi o único que não se sensibilizou com aquela proposta, talvez por total desconhecimento ou porque tinha um ministro da Economia que tinha outras pretensões de tributação, ao invés dessa que foi aprovada no Congresso Nacional”, afirmou o ministro.

O titular da Fazenda disse ainda que o sistema tributário brasileiro vai “sair da lanterninha”, com a possibilidade de se colocar entre as dez melhores do mundo. Ele também elogiou o potencial de progressividade, com cashback.

Segundo Haddad, o Brasil vive um “inferno do ponto de vista tributário”, necessitando de aumento de produtividade. “A gente [precisa] alocar as pessoas para aquilo que mais interessa, a geração de bem-estar. O nosso sistema tributário atual gera mal-estar, nós temos que mudar isso”, disse o ministro.

De acordo com Haddad, o PIB brasileiro está crescendo a um ritmo que é o dobro da média do período anterior ao governo petista. O ministro petista exortou que o País tem potencial para alcançar melhores resultados.

O ministro da Fazenda disse ainda que os dados da reforma tributária estarão armazenados em um data center seguro, ao elogiar as instalações do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Apontou ainda que o novo sistema tributário vai permitir uma radiografia completa da economia.

Haddad participa da cerimônia de sanção do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108/2024, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), órgão responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios. Na cerimônia, também ocorre o lançamento da Plataforma Digital da Reforma Tributária.

Contatos: flavia.said@broadcast.com.br, cicero.cotrim@broadcast.com.br, gabriel.sousa@broadcast.com.br

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