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Capital Economics: bloqueio ao petróleo da Venezuela eleva risco, mas limita alta dos preços

17 de dezembro de 2025

Por Pedro Lima

São Paulo, 17/12/2025 – A decisão dos Estados Unidos de impor um bloqueio ao petróleo sancionado da Venezuela “cristaliza um risco-chave” que vinha pairando sobre o mercado global, mas o impacto altista sobre os preços do petróleo tende a ser limitado, segundo a Capital Economics. Para a casa, mesmo uma interrupção total das exportações venezuelanas “ainda seria compatível com um grande superávit no mercado global de petróleo no próximo ano”.

O anúncio de Donald Trump ocorre em meio à escalada de tensões no Caribe, após a apreensão de um navio petroleiro pelos EUA e ataques militares a embarcações acusadas de tráfico de drogas. Ainda assim, a consultoria ressalta que “muito permanece incerto”, incluindo se navios ligados às operações da Chevron no país seriam afetados e por quanto tempo a medida permanecerá em vigor.

Embora os preços do petróleo tenham reagido à notícia, a Capital destaca que a produção venezuelana é relativamente pequena, após anos de queda. A Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, equivalente a 0,9% da produção global, e exporta aproximadamente 500 mil barris diários fora dos EUA. Em contraste, o cenário-base da consultoria aponta para um superávit de 3 milhões de barris por dia no mercado global em 2026. Nesse contexto, o Brent apenas retornou ao patamar de cerca de US$ 60 por barril, alinhado à projeção de fim de ano da casa.

O relatório também observa que a China, um dos principais compradores do petróleo venezuelano, pode amortecer o impacto global, dado o papel do país na formação de estoques estratégicos. Para a Capital, mesmo com riscos altistas maiores, “a interrupção contínua do setor petrolífero da Venezuela ainda pode ser compatível com a queda dos preços do petróleo em 2026”.

Para a economia venezuelana, a consultoria alerta que, no curto prazo, a redução das exportações cortaria “uma linha vital” de entrada de divisas. Já no médio prazo, o efeito dependerá de como evoluírem as tensões com os EUA, com riscos que vão de um confronto militar a uma eventual mudança de governo, cenário que poderia abrir espaço para uma reconstrução econômica, ainda que lenta e custosa.

Contato: pedro.lima@estadao.com

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