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IA será tão popular e importante como internet e celular, diz criador da Siri

3 de dezembro de 2025

Por Altamiro Silva Junior*

Miami, 03/12/2025 – A inteligência artificial generativa precisa passar por melhorarias importantes, especialmente nas interfaces de programas como o ChatGPT com os usuários, e ainda comete muitos erros, mas esse tipo de tecnologia será tão popular e importante como a internet e o celular, prevê Adam Cheyer, executivo que ajudou a criar a Siri a partir de 2007, já como serviço que obedecia a comandos de voz, depois comprada pela Apple.

Para Cheyer, usada em parceria com seres humanos, a IA vai aumentar significativamente a produtividade. Ele contou que, em 2017, a IA começou a ser usada para o tratamento de câncer e, pela primeira vez, pesquisadores demonstraram que um médico, “aprimorado ou aumentado por capacidades de IA, superou significativamente o desempenho de humanos sozinhos”. Assim, vai eliminar postos de trabalho. “Humanos com IA, humanos utilizando IA vão substituir o seu trabalho”, disse o executivo em uma palestra em evento de inovação da Mastercard, em Miami, nos Estados Unidos.

No caso da IA generativa, o passo decisivo veio com o ChatGPT, em 2020. Se antes programas resolviam problemas específicos, estes novos passaram a resolver os mais diversos, de tradução a pesquisas. “Essa foi a primeira tecnologia que permitiu múltiplas tarefas, resumo, tradução, matemática, qualquer coisa que você possa inserir linguagem, obter linguagem.”

Apesar da inovação tecnológica acelerada, a interface desses programas com usuários ainda é muito pobre, na visão do executivo. “A interface está completamente errada. Ela me lembra daquelas páginas terríveis da internet por volta de 1996”, disse o cocriador da Siri mostrando uma foto do ChatGPT.

O executivo defendeu também que é preciso um modelo de negócios para esses programas de IA. “Precisamos de algo como uma loja de aplicativos para o ecossistema que permita que ambos os lados tenham sucesso.”

Em períodos de 10 anos, a tecnologia tem mudado significativamente no mundo, ressaltou Adam Cheyer. Como exemplos, ele lembrou da criação do computador pessoal, da criação da internet e do lançamento do iPhone e de outros celulares inteligentes.

Jobs ligou

E a revolução do momento são os programas de IA generativa, que permitem interações em conversas. Nesse momento, ele lembrou do lançamento da Siri, em fevereiro de 2010, então um aplicativo gratuito que executava comandos por voz, um prenúncio do que é hoje amplamente usado. “Até que um dia recebemos uma ligação de Steve Jobs”, contou o executivo.

Após uma reunião pessoal e 30 dias seguidos ligando e tentando convencer os três fundadores a vender a Siri, Jobs conseguiu convencê-los. “Steve Jobs viu a onda iminente de inteligência artificial antes de qualquer outro”, disse o executivo. E Jobs morreu um dia depois de a Siri ser lançada no iPhone, em outubro de 2011.

Contato: altamiro.junior@estadao.com

*O jornalista viajou a convite da Mastercard

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