Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Fontes: com crise nos Correios, governo avalia mudar meta das estatais para 2026

2 de dezembro de 2025

Por Cícero Cotrim, Flávia Said e Mateus Maia

O rombo bilionário nas contas dos Correios deve tornar necessária uma mudança na meta fiscal das empresas estatais do ano que vem, segundo fontes da equipe econômica. A avaliação é de que o prejuízo contabilizado pela estatal, que vive a maior crise da sua história, vai continuar pelo menos ao longo de 2026. Se o alvo for mantido, isso vai limitar o espaço para gastos do governo no ano eleitoral.

O debate sobre a mudança do alvo das empresas ainda não começou na Junta de Execução Orçamentária (JEO), que reúne os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet. No entanto, técnicos da equipe econômica consideram certo que a discussão vai ter de acontecer, devido aos riscos para o Orçamento.

A meta das estatais é estabelecida no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O texto de 2026, que ainda não foi apreciado pelo Congresso, prevê um prejuízo de R$ 6,752 bilhões para o conjunto das empresas em 2026, o equivalente a 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB). Quando o prejuízo é maior do que o estimado, o governo é obrigado a incorporar a diferença no resultado primário, o que pode levar a um contingenciamento.

Em novembro, por exemplo, a estimativa do governo para o déficit primário das empresas estatais em 2025 subiu para R$ 9,208 bilhões, acima da meta, de R$ 6,20 bilhões, muito em função dos prejuízos contabilizados nos Correios. Isso obrigou o governo a incorporar a diferença no orçamento fiscal, o que levou a um contingenciamento extra de R$ 3 bilhões.

Como o PLDO de 2026 foi apresentado em abril – antes de o escopo da crise nos Correios vir a público -, técnicos avaliam que o déficit das empresas está subestimado. Se nada for feito, o risco é que o governo tenha de alterar a sua previsão para as estatais radicalmente já no primeiro Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, e determinar um contingenciamento grande de gastos.

Tudo isso ocorreria não só em meio às eleições presidenciais, mas no primeiro ano em que a meta de resultado primário do governo aponta para o positivo. O alvo do ano que vem é um superávit de 0,25% do PIB, ou o equivalente a R$ 34,260 bilhões, segundo o PLDO de 2026. O piso do alvo é de déficit zero, mesmo nível de resultado que foi o centro da meta em 2024 e 2025.

De janeiro a setembro deste ano, os Correios tiveram um prejuízo de R$ 6,05 bilhões, quase o triplo dos R$ 2,13 bilhões contabilizados no mesmo período de 2024. A diretoria da empresa trabalha em um plano de recuperação, mas considera que os rombos nas contas devem permanecer ao longo do ano que vem. Para fontes do governo que acompanham o caso, o problema pode continuar por mais tempo.

Veja também