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COP30 tem guerra de ‘soft power’ entre países com distribuição de brindes e danças típicas

14 de novembro de 2025

Por Felipe Frazão, enviado especial, do Estadão

Belém, 14/11/2025 – A primeira semana da COP30 ficou marcada por uma guerra – nada bélica – entre os países para ver quem atraía mais atenção na zona azul, com a inauguração dos pavilhões nacionais. O soft power, conceito diplomático de exercer influência e poder de convencimento sem uso da força, entrou em cena como ferramenta de propaganda política.

Logo nos primeiros dias, alguns países saíram na frente com apresentação de elementos culturais associados à promoção de seus governos. A China, por exemplo, apostou na distribuição de brindes e adereços, como arcos com pandas, e pandinhas de pelúcia, assim como chá de jasmim, para quem assistisse às palestras no seu pavilhão. Em uma das entradas, havia uma exposição de livros do líder Xi Jinping, apenas para exibição.

Objeto da ira de Pequim, o governo da ilha de Taiwan, que não tem representação formal perante a ONU, acompanhou de forma discreta uma delegação de ativistas e organizações sociais, por meio do representante de Taipei no Brasil, Benito Liao.

A Indonésia apostou em danças típicas e expôs o maior painel de LED da zona azul, com fotos recentes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Jacarta, abraçado e de mãos dadas com o presidente Prabowo Subianto. O país do sudeste asiático foi o primeiro entre os florestais a anunciar uma contribuição igual à do Brasil (US$ 1 bilhão) ao Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF).

Cada vez mais procurada pela cultura pop, a Coreia do Sul apostou em experiências de cosplay. O governo disponibilizou uma arara com trajes típicos supercoloridos e estampados: a experiência de vestimenta tradicional coreana – Hanbok. Esse tipo de resgate da cultura milenar virou febre em países asiáticos.

Já o Japão expôs tecnologia de lentes e miniaturas de satélites. Portugal inaugurou seu espaço com um letreiro com tipologia antiga, com vinho tinto e verde, e um pocket show de cante alentejano do músico António Zambujo. A Arábia Saudita vestiu delegados com trajes típicos e lenço xadrez vermelho e branco, o shemagh.

A Suécia armou um karaokê climático – o país de artistas mundialmente famosos, como ABBA, Roxette e Swedish House Mafia lançou também a principal plataforma de streaming de música do mundo, o Spotify. A ideia era promover uma conversa, ao som de músicas temáticas, vinculadas a ações do clima.

O Paquistão usou a imagem de uma governante na linha sucessória do país, Maryam Nawaz, ministra-chefe do governo de Punjab, para promover o sistema de coleta de lixo apresentado como o “maior do mundo”, com monitoramento em tempo real. Ela foi pessoalmente à inauguração do espaço.

A disputa se deu, sobretudo, pela atenção dos participantes. Mas também por um espaço privilegiado. Os governos da Turquia e da Austrália, que concorrem para ver quem receberá a COP-31, em 2026, reservaram posições em frente ao estande do país-anfitrião, o Brasil, no corredor principal.

Turcos e australianos ficaram separados apenas por uma parede. Enquanto Ancara apostou na distribuição de cartazes com caligrafia turca, Camberra honrou sua tradição de servir café expresso e lattes nas COPs.

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