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3tentos/Luiz Osório Dumoncel: hedge é feito a cada negócio, a cada final de dia

14 de novembro de 2025

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 14/11/2025 – A 3tentos registrou R$ 202,6 milhões em resultado positivo de contratos de hedge no terceiro trimestre de 2025, recompondo parte da margem operacional pressionada na indústria, informou o presidente do conselho, Luiz Osório Dumoncel, em teleconferência com analistas nesta sexta-feira. Quando o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado é somado ao resultado dos derivativos liquidados no período, o indicador avançou 3,6%, de R$ 356,2 milhões para R$ 368,9 milhões, com margem de 7,4%.

O desempenho contrasta com o primeiro trimestre de 2025, quando a empresa registrou resultado negativo de cerca de R$ 90 milhões em derivativos, ao mesmo tempo em que apresentava resultado operacional mais forte. “Esse trimestre foi o inverso. Nós estamos tendo aí um pouquinho mais de R$ 200 milhões em resultado positivo financeiro e um resultado operacional mais ajustado”, disse Dumoncel.

O executivo reforçou que o hedge é parte do dia a dia da companhia, especialmente no complexo soja. “A maioria do nosso hedge é feito com o complexo soja”, afirmou. “Todo esse hedge é feito a cada negócio, a cada final de dia.” Segundo ele, todas as pontas – compra de soja, milho e trigo e venda de grãos ou produtos industrializados – são acompanhadas de proteção de preço.

O CEO, João Marcelo Dumoncel, destacou que a leitura do resultado não pode separar o operacional do financeiro. “Não é um pós-mortem que tem que ser analisado. É uma análise que tem que ser feita negócio a negócio”, afirmou. “Fazemos negócio para ter resultado positivo, seja operacional ou financeiro, mas principalmente na soma do operacional e do financeiro.”

Na prática, a empresa vende grãos ou produtos industrializados e trava o preço no mercado futuro no mesmo momento. Na liquidação, se o preço de mercado estiver mais baixo do que na data da venda, o derivativo paga a diferença e recompõe parte da margem. “Na hora de reconhecer, temos que reconhecer como receita financeira. Por isso que ele dá contabilmente essa queda”, disse João Marcelo, ao comentar a pressão sobre a margem operacional isolada.

A margem bruta da indústria ficou em 12,5% no terceiro trimestre, abaixo do patamar de 18% no acumulado de nove meses de 2025. A receita do segmento somou R$ 2,21 bilhões, alta de 19% na comparação anual, apoiada na maior capacidade das plantas de Vera (MT) e Cruz Alta (RS). Sem o efeito dos derivativos, o Ebitda ajustado teria recuado 51,4%, para R$ 166,3 milhões; com o hedge, o indicador consolidado ficou praticamente estável em relação ao ano anterior.

Dumoncel lembrou que a volatilidade em Chicago é repassada de forma quase imediata ao mercado brasileiro. “A gente vê isso acontecer imediatamente. Chicago está 2 cents de alta no vencimento janeiro, já US$ 11,50, e isso tem uma relação absolutamente direta com o mercado brasileiro, obviamente ficando apenas o basis como uma das pernas que a gente trabalha no dia a dia”, afirmou. A empresa acompanha as cotações em tempo real e ajusta posições de proteção conforme o fluxo de compra e venda.

No terceiro trimestre, a combinação de prêmio elevado da soja no Brasil – com a China concentrando compras no País em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos – e queda do farelo em Chicago reduziu a margem operacional da indústria. Nesse ambiente, o hedge funcionou como proteção. “Observamos essas margens da indústria nesse terceiro trimestre de 12%, mas também no acumulado de 18%, o que nos traz para uma normalidade de margens”, disse Luiz Osório.

O CFO, Cristiano Machado Costa, afirmou que, diferentemente do primeiro trimestre, não houve descasamento relevante entre hedge e operações no período. “No primeiro tri de fato teve um pouquinho, mas aqui não teve. Está refletindo o que fizemos no trimestre mesmo”, disse, em resposta a questionamento de analistas sobre o timing de liquidação dos contratos.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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