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17 de outubro de 2025
Por José Maria Tomazela
São Paulo, 17/10/2025 – Depois de quase 30 anos, os trens de cargas e passageiros podem voltar a correr pelos trilhos entre Santos, na Baixada Santista, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciou a elaboração de um projeto funcional para uma nova ligação ferroviária com 223,6 km de extensão ligando as duas regiões. O trem vai percorrer seis cidades da Baixada Santista, até Peruíbe, e sete cidades do Vale do Ribeira, até Cajati.
De Santos a Peruíbe, numa extensão de cerca de 80 km, a via será elevada. O plano é que sob a linha sejam construídos parques lineares, ciclovias e estacionamentos para banhistas: a ferrovia seguirá paralela às praias.
O projeto prevê uma estação para embarque e desembarque de passageiros em cada cidade – serão 13 estações ao longo do percurso. Também poderão ser embarcados contêineres com cargas. O custo pode chegar a R$ 21 bilhões.
O estudo é conduzido pela área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da CPTM e integra as ações do governo do Estado voltadas à inclusão territorial, mobilidade sustentável e desenvolvimento regional. Está em andamento um levantamento topográfico e aerofotogramétrico da região, que deve ser concluído em novembro.
O material vai compor os estudos técnicos que darão subsídios para o anteprojeto de engenharia, com início previsto para dezembro. O estudo, que inclui a concepção técnica e detalhada da linha, suas estruturas e parâmetros operacionais, servirá de base para uma possível concessão, segundo Fabio de Oliveira Marcondes, assessor de Desenvolvimento e Expansão do Transporte da CPTM.
Os trens passarão por:
– Santos
– São Vicente
– Praia Grande
– Mongaguá
– Itanhaém
– Peruíbe
– Itariri
– Pedro de Toledo
– Miracatu
– Juquiá
– Registro
– Jacupiranga
– Cajati
Os trilhos existentes no trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperados para reaproveitamento da malha ferroviária já existente. A reportagem apurou que em muitos trechos, especialmente na Baixada Santista, a antiga linha férrea foi ocupada de forma irregular.
Em novembro de 2018, vistoria do Ministério Público Federal (MPF) constatou construções clandestinas e até plantações de banana sobre a linha férrea.
Algumas estações que foram depredadas, ou sofreram danos na estrutura devido ao abandono, terão de ser reconstruídas ou substituídas por prédios novos. O abandono levou a prefeitura de Mongaguá a solicitar à União a doação de 13 km de área pública ocupada pela linha férrea desativada na área urbana do município. O pedido, apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no último dia 13, ainda será formalizado.
A prefeitura afirma que a área apresenta mato alto, sujeira e buracos no solo, ocupações irregulares de moradias e comércios ao longo de 4 km na região central, além de vegetação, muros e córregos sem manutenção. A ponte férrea sobre o Rio Mongaguá está deteriorada, mas não será usada, já que os trilhos passarão mais alto.
Prefeitos da região se mobilizam há anos pela reativação da ferrovia. Alberto Mourão (MDB), prefeito de Praia Grande, defendeu a utilização da linha para o transporte de passageiros mercadorias até o Porto de Santos. Cerca de 50 mil pessoas se deslocam diariamente da cidade para Santos. “Nossa preocupação é com o estado de abandono que traz reflexos para o município”, diz.
De acordo com Marcondes, como a linha férrea quase sempre segue pelo litoral, há poucos desafios topográficos a serem vencidos. O trem parte de uma altitude de 2 metros, no centro histórico de Santos, e chega à altitude de 75 metros, em Cajati.
Segundo o gestor, não há túnel previsto no projeto, mas em alguns trechos estão previstos desvios do traçado original. “Estamos mapeando a faixa de domínio para ver o que está ocupado, mas já vimos que em alguns pontos haverá desvios”, diz.
“Fizemos vistoria técnica em todo o trajeto e identificamos algumas obras de arte com possibilidade de readequação e outras que terão de ser substituídas. É algo que será refinado no anteprojeto”, acrescenta.
Além da concessão, que deve atrair interesse também pelo apelo turístico da linha, a obra pode ser viabilizada através da contratação integrada do projeto executivo, diz Marcondes. “Como vai ser feito, isso só poderá ser discutido após termos o anteprojeto de engenharia.”
Viagem em pouco mais de 2 horas
A nova linha terá trens expressos e paradores. Para fazer todo o percurso, o tempo estimado para o serviço expresso será de 2 horas e 20 minutos. Os trens paradores farão o percurso de Santos a Peruíbe em 48 minutos e de Peruíbe a Cajati em 1 hora e 56 minutos.
A estimativa é de que os trens transportem 32 mil passageiros por dia e 600 contêineres diários. O custo total do empreendimento deve oscilar entre R$ 19 e R$ 21 bilhões. O valor será detalhado no anteprojeto de engenharia.
O trem será híbrido, com tecnologia que combina energia elétrica e combustão. O sistema será integrado ao VLT da Baixada Santista e ao futuro Trem-Intercidades (TIC) Santos – São Paulo, formando um eixo ferroviário contínuo, interligando o litoral e a capital paulista.
Conforme a CPTM, entre os benefícios a serem proporcionados pela nova ferrovia está a redução de congestionamentos nas vias do litoral e na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), com possível redução de acidentes. A nova linha também deve estimular o turismo e o desenvolvimento urbano sustentável. Os usuários terão acesso às praias da Baixada Santista e litoral sul e ao polo turístico de cavernas do Vale do Ribeira.
Linha de 110 anos
A Linha Santos-Juquiá foi construída pela inglesa Southern San Paulo Railway entre 1913 e 1915, inicialmente de Santos a Peruíbe. Nos anos seguintes, a ferrovia chegou a Juquiá e passou a ser usada para escoar banana e madeira para o Porto de Santos. Em 1926, a linha foi incorporada à Estrada de Ferro Sorocabana (EFS)
A ferrovia chegou ao seu auge nas décadas de 1940 e 1950, quando circulava em suas linhas o Expresso Ouro Branco, trem de passageiros moderno e luxuoso, ligando a Capital até Peruíbe. Na época, a linha possuía 40 estações.
Em 1981, a linha foi estendida a Cajati com foco nos insumos para fertilizantes produzidos na região. O transporte de passageiros entre Santos e Juquiá foi suspenso em 1997, depois de 84 anos.
Em 2020, durante a renovação da concessão da Malha Paulista, a concessionária Rumo desistiu da concessão da linha Santos-Cajati e a devolveu ao governo federal.
Procurado pela reportagem, o DNIT diz que ainda não foi notificado sobre o projeto. A CPTM informou que tratativas serão realizadas com órgãos federais após a conclusão do anteprojeto.
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