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AIE: taxa de declínio de petróleo e gás acelera, exigindo mais investimentos para manter oferta

16 de setembro de 2025

Por Thais Porsch

São Paulo, 16/09/2025 – A taxa média na qual a produção de campos de petróleo e gás declina ao longo do tempo acelerou significativamente ao redor do mundo, em grande parte devido à maior dependência de recursos de xisto e offshore profundo, o que significa que as empresas devem trabalhar muito mais do que antes para manter a produção nos níveis atuais, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado hoje.

A chamada “taxa de declínio” representa a velocidade com que a produção de um campo ou poço diminui ao longo do tempo, depois de atingir o seu pico.

“Apenas uma pequena parte do investimento upstream em petróleo e gás é usada para atender ao aumento da demanda, enquanto quase 90% do investimento anual é dedicado a compensar as perdas de oferta em campos existentes”, diz o diretor executivo da AIE, Fatih Birol. “As taxas de declínio são o elefante na sala para qualquer discussão sobre as necessidades de investimento no setor, e nossa nova análise mostra que elas aceleraram nos últimos anos. No caso do petróleo, a ausência de investimento upstream removeria o equivalente à produção combinada do Brasil e da Noruega a cada ano do equilíbrio do mercado global”, acrescenta.

Segundo a agência, as taxas de declínio variam globalmente. Campos de petróleo onshore no Oriente Médio declinam a menos de 2% ao ano, enquanto campos offshore menores na Europa têm uma média de mais de 15% ao ano. O petróleo não convencional e o gás de xisto caem mais acentuadamente: sem investimento, a produção baixa mais de 35% em um ano e mais 15% em um segundo ano.

Mesmo com gastos contínuos em campos existentes, a análise da AIE mostra que mais de 45 milhões de barris por dia de petróleo e quase 2.000 bilhões de metros cúbicos de gás de novos campos convencionais seriam necessários até 2050 para manter a produção nos níveis atuais.

O relatório se baseou em dados de produção de cerca de 15.000 campos de petróleo e gás de todo o mundo.

Contato: thais.porsch@estadao.com

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