Política
22/11/2020 15:22

EUA: cresce pressão no partido republicano para que Trump aceite resultado das eleições


Por André Marinho

São Paulo, 22/11/2020 - Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coleciona derrotas em sua batalha jurídica para tentar anular o resultado das eleições de 3 de novembro, integrantes da cúpula do Partido Republicano começam a aumentar a pressão para que o líder da Casa Branca aceite a vitória do candidato democrata, Joe Biden.

O coro de dissidentes na legenda se intensificou ontem, depois que a Justiça da Pensilvânia recusou o pedido de liminar da campanha republicana para cancelar a oficialização do pleito no Estado, em que o ex-vice-presidente venceu por uma margem de cerca de 80 mil votos. Na decisão, o juiz Matthew Brann disse que a ação apresentava "argumentos jurídicos sem mérito e acusações especulativas, sem suporte de evidências".

Após o julgamento, o senador governista Pat Toomey divulgou um comunicado em que exalta as credenciais conservadoras do magistrado e afirma que Trump "esgotou todas as opções legais plausíveis". No texto, o parlamentar se diz decepcionado com a derrota do seu partido, mas exorta o presidente a aceitar o resultado para garantir que ele seja lembrado por suas "conquistas extraordinárias" e "para unificar o país".

"Parabenizo o presidente eleito Biden e a vice-presidente eleita Kamala Harris por sua vitória. Os dois são servidores públicos dedicados e eu estarei orando por eles e pelo nosso país", escreveu Toomey.

Hoje pela manhã, o senador Kevin Cramer, também republicano, instou Trump a "cooperar com a transição" para o governo de Biden, embora tenha defendido o direito do presidente de continuar com as disputas nas cortes. "Prefiro um presidente que tenha mais de um dia para se preparar, caso Joe Biden ganhe isso, mas, enquanto isso, ele (Trump) está apenas exercendo suas opções legais", disse, em entrevista ao programa Meet The Press.

Com as declarações, Toomey e Cramer se juntam à pequena, mas crescente lista de senadores republicanos que se distanciaram das acusações, sem provas, de que houve fraude no pleito. Além deles, Mitt Romney, Lisa Murkowski e Susan Collins já haviam pedido para que a equipe de Biden começasse a receber informações confidenciais de governo.

Na Câmara dos Representantes, a deputada Liz Cheney, número 3 na cúpula do partido na Casa, pressionou Trump a apresentar evidências de suas acusações. "Se o presidente não puder provar essas afirmações ou demonstrar que elas mudariam o resultado da eleição, ele deve cumprir seu juramento de preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos, respeitando a santidade de nosso processo eleitoral", salientou.

Contato: andre.marinho@estadao.com
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