Política
16/05/2018 18:21

Meirelles: Por aliança, MDB teria de se convencer que outro candidato tem mais chances que eu


Brasília, 16/05/2018 - Pré-candidato à Presidência da República pelo MDB, o ex-ministro Henrique Meirelles deu uma alfinetada no ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB. "Alguns candidatos estão aí com um índice de conhecimento [da população] elevado, já tendo sido candidatos à Presidência, conhecidos por basicamente toda a população, e apresentam um nível de aprovação muito baixo", disse Meirelles. Ele também destacou que possui "reputação que não é objeto de questionamento".

No último levantamento realizado pela CNT/MDA, no início da semana, Alckmin aparece em quinto lugar, com 4% das intenções de voto. Meirelles, por sua vez, registrou 0,3% - considerando o cenário com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado pela Operação Lava Jato, na disputa.

Nesta quarta-feira, 16, Meirelles reuniu-se com a bancada do MDB no Senado para mostrar suas propostas como pré-candidato. O ex-ministro da Fazenda apresentou pesquisas qualitativas que mostram, segundo ele, que seu potencial de crescimento nas pesquisas de intenção de voto é "enorme". "Temos, na visão dos eleitores, as características que desejam para o próximo presidente", defendeu Meirelles.

Após a conversa, integrantes do MDB afirmaram reservadamente que "ficou claro" que Meirelles é o melhor candidato para o partido. Além disso, parlamentares também consideram que Temer deveria anunciar logo a sua desistência para que o ex-ministro tenha chances de crescer nas pesquisas e verificar sua viabilidade até meados de julho, período das convenções.

Meirelles disse que sentiu entusiasmo por parte da bancada do MDB e que a reunião saiu "melhor do que suas melhores expectativas". Afirmou que, se for escolhido como candidato da legenda, possui "todas as condições" de chegar ao segundo turno e vencer a eleição.

Sobre possíveis alianças com outros partidos, disse que só seria possível se o MDB se convencer de que outro candidato tem mais chances de vencer do que ele, o que considerou "difícil". "Estamos dispostos a conversar para o primeiro turno, mas no segundo turno aceitaremos apoio, alianças", declarou.

De acordo com Meirelles, a definição sobre a candidatura única do MDB depende da vontade pessoal do presidente Michel Temer. Ele afirmou que é "saudável e positivo" a sigla ter duas pré-candidaturas neste momento e que é "normal" Temer pleitear a vaga.

Ele justificou que Temer é impopular porque assumiu o governo na maior recessão, porém culpou a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff e disse que essas questões serão facilmente esclarecidas no período eleitoral.

Investigação
Questionado sobre a abertura de um inquérito para apurar pagamentos milionários do grupo J&F a congressistas do MDB, Meirelles respondeu que "todos os partidos têm problemas".

As suspeitas foram levantadas na delação premiada do executivo Ricardo Saud, que disse ter havido pagamento da ordem de R$ 46 milhões a senadores do MDB, a pedido do PT. De acordo com o executivo, apesar de diversas doações terem sido oficiais, trata-se de "vantagem indevida", já que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 para garantir a aliança entre os dois partidos.

O esquema teria beneficiado os senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Jader Barbalho (MDB-PA), Eunício Oliveira (MDB-CE), Renan Calheiros (MDB-AL), Valdir Raupp (MDB-RO) e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rego.

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, por sua vez, declarou ouvir em reuniões ocorridas na residência de Renan, "que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões". A delação de Machado também faz parte do inquérito. (Julia Lindner)
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