Política
14/11/2017 12:53

Lava jato/Rio: com apoio político, Sergio Cabral dividia proveito criminoso com a Alerj


Rio, 14/11/2017 - O Ministério Público Federal do Rio (MPF-RJ) afirma que os deputados estaduais Jorge Picciani e Paulo Melo, ambos do PMDB, receberam mais de R$ 112 milhões em propinas num período de cinco anos. Picciani é o atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e Melo é ex-presidente da casa.

Segundo o MPF, documentos levantados ao longo dos últimos seis meses provam que havia "uma divisão de poder na organização criminosa", que não se limitava ao Poder Executivo.

"Essa investigação é um desdobramento da Operação Ponto Final, em que se identificou todo o esquema de corrupção na Fetranspor ao Executivo. Só que junto com a entrega das planilhas de corrupção do Executivo, essas planilhas também trouxeram a corrupção dos deputados estaduais Paulo Melo e Jorge Picciani", explicou a procuradora Andréa Bayão Pereira Freire.

Segundo ela, a propina paga pelos empresários ligados ao transporte público no Estado era dividida. "Havia um compartilhamento, um proveito criminoso, de Sergio Cabral com Jorge Picciani e Paulo Melo. Cabral tinha uma conta na Fetranspor de propina, como já está dissecado na Operação Ponto Final, e havia determinações de saída de recursos dessa conta para conta de Paulo Melo e Jorge Picciani", narrou Andréa.

Os pagamentos era mensais, de forma a existir um maior controle sobre as ações dos deputados. "Essas planilhas dizem para nós que no período de 15 de julho de 2010 a 14 de julho de 2015, foi pago da conta da Fetranspor para Picciani R$ 58,58 milhões, e para Paulo Melo foi pago R$ 54,3 milhões. Desse dinheiro, parte foi pago a mando de Cabral", afirmou a procuradora. "Havia um projeto de poder de enriquecimento ilícito por muitos integrantes do PMDB do Rio." (Constança Rezende e Marcio Dolzan)
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