Economia & Mercados
23/06/2020 08:22

Na corrida por dividendos, Isa Cteep, Taesa e AES Tietê são 'queridinhas' de gestores


Por Matheus Piovesana

São Paulo, 23/06/2020 - Com a covid-19 batendo à porta de empresas, duas palavras definem as ações de companhias que continuam pagando dividendos generosos: previsibilidade e consolidação. De cara, tais características colocam à frente os setores de transmissão e geração de energia, menos expostos à degradação da economia, e com nomes, como Isa Cteep e AES Tietê, que têm fortes distribuições de proventos. No entanto, mesmo com a provável contração nos lucros neste ano e a limitação à distribuição de dividendos, os bancos também podem ser bons pagadores. E correndo por fora, o setor de telecom ainda é bem visto.

A preferência pelas transmissoras é fruto de seus retornos em dividendos (dividend yield, no termo em inglês), que com a crise, estão entre os mais altos da B3. O retorno é uma divisão do valor por ação que a empresa paga em dividendos pelo preço de cada papel antes do pagamento. Em alguns casos, como o da Isa Cteep, Victor Hasegawa, gestor de ações da Infinity Asset, calcula que este número pode chegar a 9% neste ano.

"Em 2020, não tem como fugir muito das transmissoras, que realmente não tiveram o seu fluxo de caixa afetado pela covid-19", diz ele. "As distribuidoras vão ter um impacto pelo aumento da inadimplência, e as geradoras podem ser impactadas pelo menor faturamento das distribuidoras. Mas na transmissão, o fluxo de caixa é mais estável", afirma.

Isso acontece porque as transmissoras, em geral, têm receitas pré-acordadas, o que lhes dá grande previsibilidade em termos de fluxo de caixa. O retorno é tão certo que é comum que gestores de ações definam as transmissoras como "ações de renda fixa". E isso se estende aos projetos que as empresas devem entregar, também previstos com antecedência.

No setor, além da Cteep, são frequentemente citados os nomes de Taesa e Alupar, e com menor frequência, os da CESP. A antiga Transmissão Paulista distribuiu, em 2019, 81% do resultado regulatório, enquanto a Taesa pagou 92,3% dos lucros. A Alupar distribuiu 23,9% do lucro no ano passado.

No segmento de geração, a queridinha é a AES Tietê, que tem uma agressiva política de pagamento de proventos. No primeiro trimestre deste ano, a geradora hídrica distribuiu nada menos que 118% do lucro que obteve. E não foi o maior pagamento: no quarto trimestre de 2019, o payout chegou a 134%.

Generosos mesmo com limitações

Desde abril, os bancos estão proibidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de distribuir juros sobre capital próprio (JCP), e não podem pagar dividendos acima do mínimo previsto em seus estatutos sociais. A regra, que vale até 30 de setembro e foi tomada como medida preventiva para aumentar a liquidez do sistema financeiro durante a pandemia, atingiu diretamente um dos fundamentos mais celebrados do setor. Ainda assim, os papéis são bem vistos na 'caça' aos proventos.

"Se considerarmos que Banco do Brasil ou Itaúsa vão perder 20% do lucro e distribuirão só os 25% do dividendo mínimo, com o preço atual das ações o retorno fica em 4%. É muito bom, e isso com o lucro caindo bastante", diz Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante.

Em um horizonte de médio prazo, Hasegawa, da Infinty, considera que comprar agora ações de bancos pode ser um bom negócio para quem busca dividendos, porque em 2021 os pagamentos devem acontecer, e no momento, o setor opera com descontos relevantes na B3. "Passada a crise atual, em que eles fizeram provisões altas, o setor é uma boa aposta dado o preço atual."

Na última semana, em relatório sobre ações que rendem mais com dividendos do que com a Selic, a analista de ações Betina Roxo, da XP Investimentos, incluiu o Itaú Unibanco entre as boas apostas. Ela calculou que o retorno do papel PN do banco chegará a 6,40% em 2021. "O banco combina um investimento de qualidade, com boa gestão e governança que se traduzem em menor beta, e um payout historicamente acima da média do setor."

Uma tele consolidada

Tanto Guimarães quanto Hasegawa lembram que empresas que precisam fazer investimentos de vulto não costumam pagar bons dividendos, dado que seu caixa é direcionado à expansão de suas atividades. Mas eles apontam uma exceção à regra: a Telefônica Brasil, que na semana passada, anunciou o pagamento de R$ 900 milhões em proventos a seus acionistas.

O mercado espera que a empresa faça desembolsos tanto na possível compra da Oi Móvel quanto no leilão do 5G. Ainda assim, a geração de caixa é vista como suficiente para cobrir tanto os investimentos quanto os pagamentos aos acionistas. "A Telefônica é uma verdadeira 'vaca leiteira'. Estimo que ela vá ter uns 15% de retorno em dois anos", diz Guimarães.

"A geração de caixa que a Telefônica tem dá a ela capacidade de se alavancar", diz o gestor da Infinity. "Mesmo que ela tenha uma demanda alta de capital para investir, ela vai conseguir pagar bons dividendos."

Contato: matheus.piovesana@estadao.com
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