Agronegócios
10/05/2019 17:10

FGV/André Braz: carne suína subiu 17,09% na 1ª prévia de maio do IPA-M, com peste na China


Por Vinicius Neder

Rio, 10/05/2019 - A carne suína processada saiu de variação zero na primeira prévia de abril para uma alta de 17,09% na primeira prévia de maio do IPA-M, componente do atacado do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). O dado, divulgado nesta sexta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é efeito da peste suína africana na China, mas o pesquisador André Braz considera que os primeiros movimentos ainda são especulação.

"Não reviso na volatilidade", afirmou Braz, que é coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). Segundo o pesquisador, ainda falta informação sobre como a peste vai se alastrar na Ásia e sobre os efeitos disso nos preços de carne. "Não é a sangria desatada que estão apresentando", disse Braz.

Ainda no IPA-M, a carne de aves passou de 1,70% na primeira prévia de abril para 2,01% na primeira prévia de maio. Já a carne bovina até desacelerou, passando, no mesmo período, de 2,71% para 0,87%.

Para Braz, o comportamento do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, corrobora a análise de que os primeiros movimentos nos preços da carne podem ser especulativos. Os preços dos animais vivos desaceleraram.

Dentro do IPA-EP, as carnes processadas estão entre os bens finais. Olhando para as matérias-primas brutas, o preço do suíno vivo saiu de uma alta de 4,41% na primeira prévia de abril para um avanço de 0,11% na primeira prévia de maio. No mesmo período, as aves vivas foram de 3,78% para 2,71%, enquanto os bovinos passaram de 0,64% para 0,06%.

Braz também lançou dúvidas sobre a capacidade de a inflação das carnes processadas no atacado chegar com força ao consumidor. Com o mercado de trabalho ainda deteriorado e projeções de crescimento econômico em revisão para baixo, a demanda fraca poderá conter as altas no varejo.

"O consumidor não vai ter muita grana para comprar carne mais cara", disse Braz. Para o pesquisador, se o movimento de alta nas cotações globais de carne se mantiver por causa da peste na China, o mais provável é que as altas de preços sejam divididas entre perda de margem para produtores e varejo e um pouco de inflação ao consumidor. Além disso, passado os efeitos da peste suína africana, a tendência é de que a alta de preços seja devolvida.

Contato: vinicius.neder@estadao.com
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