Agronegócios
10/07/2024 07:38

Exclusivo: BB cresce em crédito subsidiado e aposta em capilaridade para driblar concorrência


Por Isadora Duarte

Brasília, 08/07/2024 - O Banco do Brasil espera uma maior participação no crédito rural subvencionado nesta safra. Em 2023/24, o banco foi contemplado pelo Tesouro com aproximadamente R$ 39 bilhões em recursos equalizados que poderia ofertar na temporada, abaixo do volume solicitado e inferior ao reportado na temporada anterior. A expectativa do banco para o ciclo atual é de retomar o patamar histórico da ordem de 40% na divisão dos recursos equalizados, frente aos iniciais 25% do ciclo passado, antecipa o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Luiz Gustavo Braz Lage, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro. "Na safra passada, aplicamos 100% dos recursos recebidos. Nesta safra, os recursos equalizados devem responder por uma fatia maior das nossas fontes, além dos recursos próprios aportados e dos recursos direcionados de depósitos à vista, poupança rural e LCAs", disse. O BB prevê liberar ao todo R$ 260 bilhões em financiamentos ao agro na safra 2024/25, que começou em 1º de julho e se estende até 30 de junho de 2025.

O BB segue liderando a distribuição de recursos equalizados com orçamento do governo, mas vê uma maior disputa entre os agentes financeiros que operam o crédito subsidiado. O número de instituições financeiras que dividem o montante de recursos com equalização do Tesouro nas taxas de juros vem crescendo: passou de 11 no ciclo 2022/23 para 21 na safra 2023/24 e 25 IFs na atual. A previsão é que a portaria do Tesouro Nacional com a distribuição dos R$ 138,235 bilhões de recursos equalizados seja publicada até quarta-feira. Na temporada atual, o leilão de distribuição dos recursos considerou, além do spread dos agentes financeiros, a performance dos bancos e cooperativas de crédito na distribuição dos recursos na temporada passada e a capilaridade para dividir o volume por agentes financeiros.

A pulverização do crédito subsidiado não assusta o BB que aposta na capilaridade e na tradição próxima ao produtor para fazer frente à maior concorrência no crédito rural. "O banco não é contra à concorrência. Ela é salutar, fazendo com que os agentes financeiros sejam mais competitivos, e traz benefícios para o produtor na ponta", observou Braz Lage. "Mas temos as nossas fortalezas com um arranjo eficiente que vai além do crédito. O BB tem a mais ampla e especializada rede de atendimento do País e atua na mitigação de risco com a seguradora com 60% de participação de mercado. O banco tem a maior proximidade, tem presença nos rincões, conhece o produtor e faz parte das várias gerações das atividades", defende o VP de Agro, citando a participação do banco em feiras e eventos agropecuários e as caravanas de treinamento.

Líder do mercado de crédito rural no País, o BB tende a ampliar a sua participação de mercado na safra atual. Hoje detém uma fatia de mercado de aproximadamente 57% nos produtores rurais pessoa física e de cerca de 50% na carteira ampliada. "A tendência é de crescimento do market share com a aplicação dos R$260 bilhões na safra, mas o share é consequência. A nossa disputa é para fazer o atendimento ao produtor", apontou Braz Lage.

Enquanto o BB prevê ampliar o market share em crédito rural, agentes privados relatam maior restrição e seleção na concessão de financiamentos ao agro, em meio à onda de recuperações judiciais crescentes e menor rentabilidade dos produtores. "Não estivemos ao lado do produtor apenas nos últimos cinco de anos de bonança, mas sempre estivemos ao lado do produtor nos momentos bons e ruins. Acreditamos que os produtores seguirão na atividade e, por isso, não vamos tirar o pé", relatou Braz Lage. "O banco já é seletivo com seus mecanismos de mercado. Por ter uma base de mais de 37 anos de acervo de dados de agro, podemos avaliar granularmente o crédito, o endividamento e o rating de cada produtor.".

A política de seguir crescendo no agro leva em conta o fato de que a inadimplência do setor é menor que o sistema financeiro nacional. Braz Lage afirma que o banco enxerga uma normalização na inadimplência da carteira de agronegócios, que vinha abaixo da média histórica nos últimos anos. Ele lembra que, com o boom das commodities, a inadimplência do setor estava caindo. "A inadimplência do agro está retornando a um patamar histórico, de 1,30% a 1,50%. Estamos atentos para debelar isso, mas é um patamar bastante controlado e que não nos preocupa", disse o executivo. Ao fim do primeiro trimestre deste ano, dados mais recentes divulgados, a inadimplência da carteira de agro do banco ficou em 1,19%, aumento de 0,6 ponto porcentual, mas abaixo do índice geral da carteira de crédito do banco, de 2,9%.

Uma das frentes que o banco aposta para controlar a inadimplência do setor é a mitigação de risco. Atualmente, 54,2% da sua carteira de agro é segurada, com seguro, Proagro e derivativos. O porcentual da carteira com garantias chega a 90%, segundo dados do banco. "A pulverização da carteira é o nosso maior mitigador de riscos", comentou o executivo. Braz Lage lembra que essa diversificação geográfica na concessão de crédito diminui a exposição do banco a eventos adversos, como no caso das enchentes recentes no Rio Grande do Sul. "Há instituições financeiras com 90% dos negócios no Estado. A nossa atuação no Rio Grande do Sul é de 5% a 6% e, se olhar a região afetada, a exposição diminui", apontou o vice-presidente de Agro do BB.

A pulverização citada pelo executivo é baseada em três pilares: regional, com presença em 96% dos municípios brasileiros; por culturas, financiando mais de 200 atividades e culturas agropecuárias; e por perfil de produtor, do pequeno à cooperativa.

Contato: isadora.duarte@estadao.com
Para ver esta notícia sem o delay assine o Broadcast Agro e veja todos os conteúdos em tempo real.

Copyright © 2024 - Todos os direitos reservados para o Grupo Estado.

As notícias e cotações deste site possuem delay de 15 minutos.
Termos de uso