Agronegócios
03/09/2021 12:00

Exclusivo/Tecnologia: ConectarAgro quer dobrar até o fim do ano área com cobertura de banda larga


Por Isadora Duarte

São Paulo, 03/09/2021 - A Associação ConectarAgro quer ampliar ainda este ano a cobertura via banda larga na área rural atendida por meio da iniciativa, dos atuais 6,2 milhões de hectares para 13 milhões de hectares. Como considera a meta "arrojada" em tempos de covid-19 ainda não controlada, o presidente da ConectarAgro, Gregory Riordan, admite que parte pode ficar para 2022. "Mas até o momento mantemos a meta", disse ele ao Broadcast Agro. No acumulado do ano, 1,1 milhão de hectares foram conectados à internet por meio da associação. A Conectar Agro é uma iniciativa do setor privado, fundada por Climate FieldView (Bayer), CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble, com a ideia de resolver o gargalo da conectividade para a digitalização da agricultura brasileira.

“A pandemia dificultou o acesso dos técnicos a campo para implantação das antenas e ainda é difícil avaliar como será a execução dos empreendimentos nesses últimos quatro meses do ano", afirma Riordan, também diretor de Tecnologias Digitais da CNH Industrial. "Havia uma expectativa de melhora da pandemia e de poder estar a campo com o produtor, mas há dúvidas com a disseminação da variante delta.”

Mesmo com a execução dos projetos prejudicada, o planejamento das estruturas se manteve nesse período. A Tim, que instala as antenas 4G de frequência 700 MHz pela ConectarAgro, diz que atualmente tem mais de 10 milhões de hectares em projetos sendo avaliados por clientes. Serão necessárias 340 antenas para atingir a área total prevista pela ConectarAgro. Para cobrir 1 milhão de hectares, a estimativa é de que são necessárias 50 antenas.

Se por um lado a pandemia atrasou o acesso das propriedades agrícolas à internet, por outro aumentou o número de agricultores que demandam o serviço. “Havia uma demanda reprimida. Com o isolamento social, o produtor viu maior necessidade de conectividade não somente para uso de máquinas agrícolas e tecnologias digitais, mas também para comunicação”, explica. Segundo o executivo, foi observado maior uso das ferramentas digitais por agricultores que gerenciam as fazendas à distância e que tiveram de reduzir a frequência de deslocamentos até as lavouras.

Outro fator que estimulou a adoção de tecnologias no campo é a boa rentabilidade das lavouras. Os preços remuneradores das commodities compensaram a alta do custo de instalação das antenas, que subiu em virtude da valorização do aço e dos componentes eletrônicos. “O produtor está mais capitalizado. A soja, por exemplo, passou de R$ 80 por saca para R$ 180 por saca”, observa o executivo. De acordo com os cálculos da ConectarAgro, o produtor desembolsa, em média, de um quarto a uma saca de soja por hectare para cobrir a instalação de uma torre. “O potencial de retorno em média é duas vezes o valor investido em um ano.”

Os ganhos contabilizados levam em conta as soluções integradas à gestão das propriedades após a conexão com banda larga, que permitem redução do custo de insumos - com menor uso de agroquímicos e combustíveis - e aumento de produtividade. O presidente da associação cita o exemplo de uma propriedade de 1,5 mil hectares, que em menos de um ano rendia aos agricultores mais que o dobro do valor aportado na instalação da torre. Nessa fazenda, observou-se uma economia de R$ 270 mil em insumos em um ano, equivalente a R$ 180 por hectare, enquanto foram gastos R$ 70 por hectare para a construção da torre.

Contato: isadora.duarte@estadao.com
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