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Do Papel-Moeda à Stablecoin

Enquanto o fisco e o BC afinam regras para o cripto, o cliente já escolheu com o bolso, buscando a tributação menor das criptomoedas

16 de janeiro de 2026

Por Gustavo Nicoletta*

A liquidação da corretora de câmbio Advanced confirma um movimento que já estava no radar: o mercado é cada vez mais um jogo para gente grande. “Câmbio é um produto que demanda escala, emprego massivo de tecnologia”, afirma Bruno Perottoni, do Braza Bank. Ele compara com as corretoras de valores na B3: quem não tem braço para competir com os conglomerados acaba ficando pelo caminho.
A demanda mudou. Papel-moeda e cartão pré-pago – receitas clássicas das corretoras independentes – encolheram com as contas multimoedas e as stablecoins. O IOF turbinado para 3,5% só acelerou a debandada, diz Fernando César, da AGK. Enquanto o fisco e o BC afinam regras para o cripto, o cliente já escolheu com o bolso, buscando a tributação menor das criptomoedas.

Nessa trajetória, as corretoras tradicionais ficam espremidas: perdem volume para o cripto e têm de repassar o IOF cheio aos clientes – o que pesa sobre casas menores, que vivem de margens apertadas.

Com menos fluxo, quem tem fôlego curto é varrido na “faxina” do Banco Central. A regra é clara: se a instituição não corrige o rumo, o BC puxa o freio de mão para proteger o sistema como um todo. Esse é o seu mandato para o bem de todos.

A lição é dupla: de um lado, o mercado consolida-se. Do outro, quem quiser sobreviver precisará ir além da taxa de câmbio competitiva: será preciso investir pesado em tecnologia, diversificar produtos e manter compliance à prova de catástrofe.

*Colaborou Carol Aragaki

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