O conflito EUA-Israel contra o Irã está afetando o mercado imobiliário nos Emirados Árabes. Veja o quanto.
25 de março de 2026
Por Alexandre Rocha
Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a retaliação do país persa contra alvos em seus vizinhos árabes provocaram um baque na região do Golfo, não só militar, mas econômico. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, são um polo importante de turismo, negócios, comércio exterior, mercado imobiliário e, claro, indústria petrolífera, atividades que são direta ou indiretamente afetadas pelo conflito e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo ao mar aberto.
Levantamento do banco norte-americano Goldman Sachs mostra que o volume de transações no mercado imobiliário dos Emirados caiu 37% nos 12 primeiros dias de março em comparação com o mesmo período do ano passado e 49% em relação a fevereiro de 2026. Na mesma linha, relatório da S&P Global aponta desaceleração do mercado, além de expectativas de redução nos negócios e nos preços dos imóveis residenciais em Dubai. Isso ocorre após vários anos de forte crescimento do setor.
“Dado que a população é composta por 80% a 90% de expatriados e que há uma dependência significativa de investimento estrangeiro no setor imobiliário, os Emirados Árabes Unidos, especialmente Dubai, estão particularmente expostos aos efeitos indiretos do conflito atual no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC)”, diz a S&P. GCC é o bloco formado por Emirados, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã.
A agência de classificação de risco afirma, entretanto, que não espera um crash como o visto na crise financeira internacional de 2008, mas que pode haver uma correção significativa, caso a fase mais aguda do conflito dure além de quatro semanas. A guerra já entrou na quarta semana e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu uma arrefecida na retórica.
A imprensa internacional tem noticiado com frequência os impactos dos ataques em segmentos relevantes da economia da região, que nas últimas décadas se consolidou como centro de turismo e negócios. Segundo a agência de notícias Reuters, há imóveis nos Emirados sendo oferecidos com até 15% de desconto. A taxa de ocupação dos hotéis em Dubai caiu de uma média 90% na alta temporada (81% na média de 2025) para 16% em 17 de março, de acordo com o Financial Times, citando informações da Lighthouse Intelligence, plataforma de dados do setor hoteleiro.
Compasso de espera
Uma fonte com conhecimento do setor de construção no país ressalta, porém, que ainda é cedo para dimensionar os impactos de forma mais exata. Os ataques dos EUA e de Israel começaram em meados do Ramadã, mês do calendário muçulmano em que os fiéis jejuam do nascer ao pôr do sol. Neste período, o ritmo dos negócios tradicionalmente diminui. Além disso, uma transação de compra e venda de imóveis por lá leva em média 45 dias para ser concluída, ou seja, os efeitos no mercado imobiliário devem ser observados mais para meados de abril. No caso específico de obras, mais tempo, de dois a três meses.
Esta mesma fonte diz que o volume diário de transações imobiliárias segue alto, apesar do Ramadã, que terminou na semana passada, e do conflito, e que eventuais descontos nos preços são pontuais, motivados mais por investidores que agem por impulso, pior exemplo. Ele acrescenta que uma correção já era esperada no mercado local para o segundo semestre, após anos de forte alta, que agora pode ser maior do que a esperada.
Efeito de terremoto
Outras atividades, entretanto, sofrem efeitos imediatos do bloqueio marinho e da redução do tráfego aéreo, sem contar o medo, como o turismo e o comércio exterior. Nestes casos, segundo outra fonte, o conflito teve o efeito de um terremoto. É difícil até a precificação de seguros para o transporte marítimo.
Ao mesmo tempo, o governo do país e a imprensa local tentam passar mensagens de prontidão e de certa tranquilidade, com relatos diários de mísseis e drones interceptados, e outras ações de defesa, e destacando a resiliência da economia local. “Líderes de conselhos empresariais destacam a resiliência de Dubai e a confiança dos investidores em meio aos acontecimentos”, diz nota publicada pela agência de notícias estatal Emirates News Agency. “Estabilidade, não pânico: Empresas do setor imobiliário de Dubai veem solidez apesar da guerra no Irã”, afirma chamada do jornal The National, de Abu Dhabi. “O setor imobiliário de Dubai mira um pouso suave após volatilidade de curto prazo”, destaca o jornal Khaleej Times, de Dubai.
De acordo com fontes, o governo local tem agido num modo de controle de danos, preocupado em não alardear eventuais impactos do conflito, mas informando a população dos riscos e auxiliando pessoas e empresas, procurando mostrar que tem condições de garantir a segurança da população e que há recursos suficientes para amortecer eventuais estragos na economia.
O país está em compasso de espera e a expectativa é a de que tudo vai voltar ao normal. Inchallah !!!
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