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O léxico da IA

Uma palavra que não está nos principais dicionários, mas já habita o mundo corporativo. Saiba qual.

26 de maio de 2026

Aramis Merki II

Se você abrir os dicionários Michaelis ou Houaiss agora e buscar por “agêntico”, vai dar de cara com “termo não encontrado”. Mas se você abrir o relatório de metas da sua empresa para os próximos meses, há grandes chances de se deparar com esse termo por lá. O termo com a palavra do ano eleita em 2025 pelo Dictionary.com, a inteligência artificial (IA) agêntica, é o que o mundo corporativo atual persegue. Mas afinal, de onde veio isso?

As novidades que a IA traz são, em sua maioria, complexas de assimilar. Algumas têm o potencial de transformar vidas e carreiras, mas ainda parecem distantes, enquanto outras já estão na rotina. Para além da vida digital, a IA agora invade o nosso léxico, transformando um jargão técnico no horizonte a ser alcançado por companhias de qualquer porte.

Em termos práticos, o adjetivo “agêntico” descreve sistemas de IA capazes de agir com independência, sem supervisão humana em cada etapa. Para decifrar essa engrenagem, a IBM define que os modelos do tipo imitam a tomada de decisão humana para resolver problemas em tempo real. Não se trata apenas de gerar uma resposta sob comando, mas de dar ao sistema a autonomia necessária para cumprir um processo inteiro sozinho.

Para ilustrar o cenário, a Oracle usa uma metáfora de escritório perfeita: pense na IA agêntica comparando-a a um gerente em relação a um técnico. Enquanto a tecnologia comum funciona como o técnico que executa uma ordem direta, a versão agêntica assume o papel do gestor. Ela pode implementar várias técnicas, incluindo a IA generativa, enquanto toma decisões de forma independente para definir quais caminhos e ferramentas são necessários para concluir um projeto.

A expressão “agêntica” não nasceu no Vale do Silício. No dicionário americano Merriam-Webster, o termo aparece, mas quase como uma gíria, explicando que a palavra vem de agent (aquele que exerce poder) com o sufixo ic. Na química, o adjetivo já circulava desde o século XIX para descrever certas reações. Depois, na psicologia e sociologia do século XX, servia para caracterizar comportamentos motivados por desejo de controle e sucesso individual. O sentido ligado à tecnologia, porém, data dos anos 2010 e explodiu recentemente.

Em publicações acadêmicas sobre IA, o termo aparece frequentemente. Não se sabe, porém, se é influência do vocabulário das Big Techs ou vice-versa. Um exemplo está no artigo que explica o índice de automação do trabalho remoto, produzido pelo Center for AI Safety: o texto usa a palavra “agêntico” duas vezes, mas a única referência bibliográfica com o termo no título é um documento do Google.

O uso já está disseminado nos corredores corporativos. A compreensão, entretanto, ainda demanda uma ajuda da própria IA.

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