Política
08/11/2018 17:40

Detran do Rio diz que presidente se apresentará nesta quinta-feira, 8, à PF


São Paulo, 08/11/2018 - O Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) informou nesta quinta-feira à tarde que o presidente do departamento, Leonardo Jacob, "se apresentará hoje à Polícia (Federal), de acordo com os procedimentos legais." Ele é procurado por envolvimento no escândalo do 'mensalinho' da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A ação ocorre no âmbito da Operação Furna da Onça, que foi deflagrada nesta manhã e prendeu 10 deputados estaduais.

Conforme informou o Estado, a investigação gira em torno de um esquema de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual. A Furna da Onça tem participação do Ministério Público Federal (MPF) e é desdobramento da Operação Cadeia Velha, deflagrada em novembro de 2017. São 19 mandados de prisão temporária, 3 de prisão preventiva e 47 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Segundo a investigação, o esquema atribuído ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB) funcionava com o pagamento mensal de propina a vários deputados estaduais para que patrocinassem interesses do grupo governista na Alerj. O 'mensalinho' era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais, alguns ligados ao Detran-RJ. De acordo com nota da PF, "os parlamentares eram beneficiados com loteamento de cargos em órgãos públicos do Estado, onde poderiam alocar mão de obra." Até às 16h36 desta quinta, a PF apreendeu dinheiro em espécie em notas de reais, dólares e euros, que já haviam sido contabilizados em mais de 600 mil nas três moedas.

Até agora, dez deputados da Alerj foram presos:

1. André Correa (DEM)
2. Edson Albertassi (MDB, nova ordem de prisão, mas já estava custodiado em Bangu)
3. Chiquinho da Mangueira (PSC)
4. Coronel Jairo (MDB)
5. Jorge Picciani (MDB, nova prisão, continuando em domiciliar)
6. Luiz Martins (PDT)
7. Marcelo Simão (PP)
8. Marcos Abrahão (Avante)
9. Marcus Vinícius "Neskau" (PTB)
10. Paulo Melo (MDB, nova prisão, mas já estava custodiado em Bangu)

Além dos parlamentares, membros do governo estadual também foram presos: o Secretário de Governo, Affonso Monnerat, e a subsecretária de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social, Shirlei Aparecida Martins Silva (ligada a Edson Albertassi). Antecessor de Leonardo Jacob na presidência do Detran, o deputado federal recém-eleito Vinicius Farah (MDB) ainda não foi localizado. A diretora de registros da entidade, Carla Adriana Pereira, foi presa. Alguns dos envolvidos já se manifestaram:

Chiquinho da Mangueira
Na tarde desta quinta-feira, a assessoria de Chiquinho da Mangueira (PSC) se manifestou por meio de nota. "O deputado declara que todas as acusações imputadas a ele através da operação, que o levou a prisão temporária no dia de hoje, são infundadas e totalmente inverídicas. Segundo o advogado Pablo Andrade, da equipe jurídica de Chiquinho, a medida foi completamente desarrazoada e ficará demonstrado que não houve qualquer ato ilícito praticado pelo deputado."

André Correa
O deputado chegou por volta das 10h20 à sede da PF, no centro do Rio, e, se dirigindo a jornalistas que estavam no saguão, disse que "quem não deve não teme". "Quero dizer publicamente que mantenho minha candidatura à presidência da Alerj. Confio na Justiça do meu País, do meu Estado e na Justiça divina. Estou tão tranquilo que vim sem advogado", afirmou Correa, contra quem foi expedido mandado de prisão preventiva. Ele foi reeleito para a Alerj.

Jorge Picciani
Em nota, o deputado diz: "O Ministério Público, mais uma vez, tenta criar um fato sem provas para me envolver num enredo do qual não sou personagem. Basta folhear as páginas da denúncia para ver as contradições. O delator Carlos Miranda, por exemplo, deixou claro que durante minha presidência da Alerj no primeiro mandato do governador Sergio Cabral não houve nenhum pagamento para mim nem qualquer irregularidade. Na segunda gestão de Cabral eu não exercia mandato. A peça hoje apresentada não prova meu envolvimento em nenhuma das supostas irregularidades, até porque não participei. A única justificativa para o MP envolver meu nome nessa tramoia é que meus advogados estão concluindo as alegações finais que irão comprovar minha inocência."

Advogado Marcio Delambert Miranda Ferreira, que defende Edson Albertassi
"O deputado nunca participou de qualquer ato criminoso durante seus mandatos e reafirma sua inocência", afirmou o advogado.

Outros presos
Também foram presos 6 assessores da Alerj: Alcione Chaffin Andrade Fabri (ligada a Marcos Abrahão), Daniel Marcos Barbiratto de Almeida (ligado a Luiz Martins), Jorge Luis de Oliveira Fernandes (ligado ao Coronel Jairo), José Antonio Wermelinger Machado (ligado a André Correa), Leonardo Mendonça Andrade (ligado a Marcos Abrahão) e Magno Cezar Motta (ligado a Paulo Melo). Ligada a Paulo Melo, Jennifer Souza da Silva também foi presa, mas não é assessora da Alerj. Uma amante de Marcos Abrahão teria sido nomeada para uma comissão da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

O nome Furna da Onça é uma referência a uma sala ao lado do plenário da Alerj, onde deputados se reúnem para ter conversas reservadas e destinadas às combinações secretas que resultam em decisões individuais antes das votações. O momento é conhecido como a "hora da onça beber água". A operação conta com 200 policiais federais, 35 membros da Procuradoria da República e 10 auditores da Receita Federal. (Carlos Costa, especial para a AE)
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