Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Pode virar pânico

Crise da Raízen coloca o produtor de cana em estado de alerta às vésperas da nova safra. Venha conferir

27 de fevereiro de 2026

Por Leandro Silveira

A safra 2026/27 de cana ainda não começou e o campo já está em alerta. Quem fornece cana para a Raízen, maior processadora do mundo, está de olho aberto: nos noticiários, nos balanços e, sobretudo, nos pagamentos.

Os números da companhia controlada pela Cosan e pela Shell não deixam muito espaço para otimismo: R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, alavancagem de 5,3 vezes o Ebitda e prejuízo de R$ 15,6 bilhões acumulados até dezembro. Para o produtor independente que planta, colhe e entrega cana à Raízen, esses dados são um sinal de que a renovação do contrato para a safra que começa em abril precisa ser pensada com mais cuidado do que o de costume.

A cada ano, os contratos de fornecimento vencem. A renovação, que em tempos normais seria quase automática, agora é motivo de reflexão. Produtores que antes assinavam sem muita hesitação estão considerando outras opções, entre elas, operar no modelo spot, entregando cana sem vínculo de longo prazo, com pagamento imediato.

Para a Raízen, esse cenário é um risco real. Usina parada por falta de cana é prejuízo garantido. Até agora, os pagamentos aos fornecedores estão em dia, segundo as associações que os representam. Mas um detalhe mudou nesta safra: a Raízen deixou de usar o risco sacado – modelo em que os bancos intermediavam o pagamento aos canavieiros – e passou a assumir diretamente essa obrigação. Enquanto os pagamentos fluem, a mudança não representa problema. Mas eleva a exposição do produtor caso a situação se agrave.

A safra começa em semanas. O tempo para a Raízen apresentar um plano crível ao mercado – e aos seus fornecedores – diminui a cada dia. Por ora, o campo observa. Mas da atenção ao pânico, a distância pode ser menor do que parece.

Veja também