O Fórum Econômico Mundial, na cidade de Davos (Suíça), é um bom ambiente para fazer networking? Veja os motivos
31 de janeiro de 2026
Por Altamiro Silva Junior
Participar do Fórum Econômico Mundial de 2026 pode custar milhões de reais para uma empresa ou banco do Brasil. Os valores são altos mesmo para participantes de um país de moeda forte. Mas a conta se paga.
Um banqueiro brasileiro conta que em quatro dias no Fórum deste ano, que acabou na sexta-feira, 23, participou de mais reuniões exclusivas de alto nível, isto é, com CEOs, diretoria e sócios de grandes empresas mundiais, do que conseguiria em um ano em São Paulo ou mesmo em viagens e eventos em Nova York.
Um empresário brasileiro comenta que conseguiu em três dias engatilhar conversas com “quem decide” na cadeia produtiva de sua empresa, incluindo o CEO de uma fornecedora, outro de uma compradora e ainda um banco europeu que está por trás de parte do financiamento desta cadeia.
O Fórum Econômico Mundial só aceita convidados. Uma das formas de participar é ser associado à organização, que pode custar até 700 mil euros por ano, dependendo do porte da empresa. Ser membro garante para a companhia algumas poucas credenciais brancas, a mais disputada, que dá acesso a todos os locais e salas do evento. E para ir ao evento ainda é preciso pagar mais uma taxa, de 32 mil euros.
Há ainda os custos com deslocamento até Davos, uma cidadezinha nos Alpes suíços a cerca de 2 horas de trem de Zurique. E o custo mais alto, a hospedagem. Por ser pequena, a oferta de hotéis e outros lugares para ficar na cidadezinha é baixa e os preços disparam, isso sem contar que janeiro é alta temporada de esqui na região, o que também encarece os preços nas cidades vizinhas.
Normalmente, CEOs e membros da diretoria alugam chalés de luxo na cidade ou apartamentos com vista para os Alpes, que podem sair por 100 mil euros ao dia. Os poucos hotéis de luxo também não ficam por muito menos e esgotam rapidamente.
Tudo isso para ter acesso ao Fórum, um clube exclusivo que reúne a elite das finanças e da economia global. Este ano, o evento teve 850 CEOs de empresas do mundo todo, incluindo o comando das ‘big techs’, como Nvidia, Amazon e Microsoft. Teve ainda outras celebridades corporativas, com painéis rapidamente esgotados, como o de Elon Musk, e o do CEO do JPMorgan, Jamie Dimon. Este último, aliás, fez até sessão de fotos com ‘fãs’ em um evento fechado do banco americano.
Além do mundo corporativo, foram mais 65 chefes de Estado, além de mais de cem ministros, incluindo pastas essenciais para os negócios, como economia, chefes de bancos centrais e relações exteriores. O nome mais esperado e o que mais ‘causou’ no evento foi Donald Trump, que inclusive se reuniu com empresários a portas fechadas após seu discurso. “É caro, mas não tem como não participar. E o resultado compensa. E muito”, disse um empresário brasileiro.
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