Mal acabaram as férias de verão e as ruas de Nova York etão fervilhando com eventos de grandes bancos e, claro, com o US Open
15 de setembro de 2026
O fim das férias de verão (de calor amazônico) em Nova York abriu espaço para um frenesi na capital global do mercado financeiro. Grandes bancos de investimento começaram a receber, na semana passada, clientes e investidores em alguns dos hotéis mais badalados da cidade para estreitar relacionamento e tentar algum match.
Não era incomum ver pessoas e seus crachás de eventos desfilando por quarteirões famosos da cidade. Nos quadriláteros de Midtown, entre a Madison e 6ª Avenida, era possível ver as fitinhas de identificação do Citi, do UBS, do Jefferies, Barclays, FT Partners passeando pelas ruas. Mais numerosos, claro, eram os bonés e camisetas do US Open, que mobilizou turistas (e alguns painelistas) entre o fim de agosto e o último domingo. Mas aí não dá nem para comparar.
Voltando às conferências, um dos gigantes do setor financeiro, o UBS, reuniu, juntamente com o UBS BB, executivos e empresários de 73 companhias no UBS Global Emerging Markets One-on-One Conference. O evento, realizado no Lotte New York Palace, contabilizou 497 reuniões um-a-um e mais de 800 interações, segundo o banco. De empresas brasileiras, eram mais de duas dezenas. Circulando pelo hotel da rede sul-coreana, havia representantes de vários países emergentes ligados aos setores financeiro, varejo, bens de consumo, indústria, energia, materiais básicos e TMT (sigla em inglês para tecnologia, mídia e telecomunicações).
Entre os temas dos almoços-debate, os destaques foram desde crise geopolítica até eleições brasileiras. Aos convidados do UBS, a chefe de ratings soberanos para Américas e Europa Emergente da Fitch Ratings, Shelly Shetty, alertou que o resultado da corrida presidencial no Brasil pode trazer ajustes futuros para a política fiscal num momento de dívida pública muito alta, com déficit fiscal a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Uma revisão do rating BB com perspectiva estável do Brasil pela Fitch deve ocorrer somente em junho do ano que vem.
Esperar para ver
Em outra conferência, um participante de setor não ligado à IA comentou que, embora o interesse dos gringos fosse genuíno e as perguntas profundas sobre a empresa, o sentimento geral era “esperar para ver”. Isso porque o risco de ficar fora da grande onda do momento – a perspectiva de ganho com inteligência artificial (IA) – parecia, naquele momento, muito alto para os investidores desembolsarem qualquer milhão de dólares para outro setor que não IA. O FOMO (sigla para a expressão Fear of Missing Out, ou seja, medo de “perder o bonde”) do mercado bate alto em ondas como essa.
Por conta disso, a manchete desanimadora que abriu esta semana sobre IA – na qual OpenAI, Anthropic, Elon Musk e Microsoft fizeram declarações sobre desacelerar o setor – poderia até parecer um balde de água fria para todos esses palcos e personagens. Mas pode não ser bem assim.
Para empresas de emergentes, como o Brasil, qualquer fração de investimentos que possa migrar da IA em direção a outros mercados é “ouro puro”. Foi mais ou menos isso que aconteceu no mercado de ações no início do ano, e todos lembramos o resultado. Nunca tivemos um janeiro tão glorioso com a entrada de estrangeiros na Bolsa brasileira.
Mas, você leitor que aguentou até aqui, não fique pensando que conferências em Nova York são puro glamour e bons negócios. Em um dos eventos, os C-levels se viam confinados em salas de reunião improvisadas no que, originalmente, são quartos pequenos de uma importante rede hoteleira americana. Além de acanhado, o espaço pequeno oferecia pouco conforto e refreshments, como se diz em inglês. Gelada, só a água numa jarra de vidro no centro da mesa de reuniões. Nem o ar condicionado funcionava bem.