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O Brasil ainda tem instituições fortes?

Investidores estrangeiros, que sempre apostaram na resiliência das instituições brasileiras, redobram a atenção com a atual crise

16 de setembro de 2026

Cynthia Decloedt

Invariavelmente, nas crises em que a estabilidade da República parecia ameaçada, a mensagem dos interlocutores do capital estrangeiro sempre era: o Brasil é visto como um País que tem instituições fortes. A frase dava até um certo alívio, quando tudo parecia estar desabando, como na Lava Jato, no impeachment de Dilma Rousseff e no caso JBS, que revelou negociações dos irmãos Batista com o então presidente Michel Temer.

A impressão agora é que o estrangeiro está entre desorientado e anestesiado, afinal não é de hoje que o País produz escândalos, bastante caprichados nos últimos 12 meses, desde que se descobriu que quase toda Brasília foi comprada pelo dono do Banco Master. E no centro dessa crise está justamente o Supremo Tribunal deFederal (STF), a maior autoridade entre as “instituições fortes” em que o estrangeiro se fiava.

Nas conversas com aqueles que estão em contato com os investidores lá de fora não é claro ainda se existe uma perda total de confiança no Brasil. Mas a instabilidade no STJ brasileiro já repercute na mídia estrangeira e é tratada como o episódio de forte impacto institucional e político no Brasil. A impressão colhida lá fora por um banco estrangeiro é a de, por enquanto, os investidores institucionais estão observando a crise envolvendo o STF, mas não entrando nos detalhes.

Entretanto, é certo que a crise no STF fragiliza ainda mais o Brasil como destino do capital estrangeiro, que já vê o País como complicado, juridicamente inseguro – porque as leis são facilmente questionadas -, e com regras trabalhistas e tributárias complexas. “Meu cliente vendeu sua última operação no Brasil e disse que nunca mais volta”, contou o executivo de uma assessoria financeira estrangeira que opera localmente.

O que sobra é um país continental, gigante, que teria uma população com potencial de consumo enorme, com empresários criativos e resilientes.