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Política ganha palco nos investimentos

No encontro da turma do investimento, em Balnerário Camboriú, o que predominou foi a política

11 de setembro de 2026

Eduardo Puccioni

A EQI Investimentos reuniu a turma em Balneário Camboriú em agosto para a 12ª edição do Money Week. Um daqueles eventos que já viraram “parada obrigatória” no calendário de quem gosta de investimentos.

Mas, como 2026 é ano eleitoral, o encontro não ficou só no papo de mercado. Com cerca de 5,7 mil inscritos para os dois dias de evento, a abertura teve a participação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e hoje coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No palco, ela dividiu espaço com o CEO da EQI, Juliano Custódio, que mandou uma daquelas frases que já nasce pronta para virar manchete: “se Deus quiser, Daniella Marques será nossa futura ministra da Economia”.

Custódio também chamou ao palco a deputada federal e candidata ao Senado Caroline de Toni (PL-SC) e deixou claro o apoio à política. Para quem acompanha o clima eleitoral de Santa Catarina, a inclinação à direita não é surpresa: em 2022, Jair Bolsonaro teve 69,27% dos votos no Estado, contra 30,73% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). O que chamou a atenção, desta vez, foi o uso do evento como um “palanque” bem direto.

Em um momento, Custódio ainda aproveitou para cutucar a abstenção: pediu que os mais de 30 milhões de eleitores que não votaram em 2022 cumpram o papel de cidadão e compareçam às urnas em outubro de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram mais de 31 milhões de brasileiros que deixaram de votar em 2022, representando 20% do eleitorado. Foi a maior porcentagem desde 1998.

Na plateia, o termômetro era evidente. Sempre que alguém criticava o governo atual, vinha aplauso, e não era tímido, não: parecia coisa de quase todo mundo ali. O pico de empolgação, claro, ficou por conta do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que foi aplaudido antes, durante e depois da fala.

E já que eu estava na cidade pela primeira vez, não teve como não reparar num detalhe bem Balneário Camboriú: carro importado para todo lado, como se fosse cenário de novela. A pergunta veio automática: de onde vem tanto dinheiro?

Conversando com motoristas de aplicativo, a maioria nem mora em BC, e sim em cidades vizinhas – tipo Itajaí, um deles, que também trabalha como corretor de imóveis, contou que o metro quadrado na área nobre da cidade pode chegar a algo entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. E o efeito dominó já bate nas cidades do entorno, onde o metro quadrado está passando de R$ 10 mil.

No fim, a sensação é de que a conta está ficando pesada para muita gente. Um motorista de aplicativo que veio do Maranhão resumiu bem o clima: “O custo de vida aqui é muito alto e o aluguel está muito caro. Já estou pensando em me mudar daqui”.

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